Polícia conclui inquérito e credita ataques de SC a facções criminosas
A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou nesta sexta-feira o inquérito sobre a onda de atentados no Estado, ocorridos entre novembro de 2012 e março deste ano. Com mais de 4 mil páginas e dividido em 13 volumes, o documento da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) credita os ataques a membros de facções criminosas e traficantes catarinenses. Durante as investigações, mais de 150 pessoas foram presas por envolvimento direto ou indireto nos ataques. A Polícia Civil, entretanto, não informou o número de indiciados.
O documento foi entregue à Justiça de Blumenau na tarde de hoje. Segundo a Deic, as investigações foram focadas na obtenção de provas e indícios para incriminar e, posteriormente, prender os mandantes dos ataques e os líderes das facções. "O crime organizado somente pode ser desarticulado com um trabalho de inteligência e realizado de forma integrada, tanto pela Polícia Civil, como por outras instituições da segurança pública, seja pelo poder Judiciário ou Ministério Público", disse em entrevista coletiva o diretor da Deic, Delegado Laurito Akira Sato.
Segundo a Polícia Civil, a centralização das investigações na força-tarefa criada pela Deic foi fundamental para a identificação dos responsáveis pelos ataques. A tendência é que, a partir de agora, todos os casos envolvendo o crime organizado passem a ser apurados por uma divisão especializada, que seria criada dentro da Deic.
A intenção é estabelecer um trabalho contínuo e integrado com outras unidades policiais e segmentos da segurança pública, envolvendo as Diretorias de Inteligência da própria Polícia Civil (DIPC) e da Secretaria de Segurança Pública (DINI), como os Núcleos de Inteligência das Delegacias Regionais (NINTs) e Divisões de Investigações das Delegacias do Estado (DICs). "Assim, um inquérito aberto em Itajaí, para apurar o envolvimento de presos com criminosos da capital ou de outras cidades do Estado, por exemplo, poderia ser confrontado com outros procedimentos já instaurados, o que tornaria mais fácil a obtenção de provas e a comprovação da ligação entre os criminosos", afirmou o delegado Procópio Batista da Silveira Neto, que participou das investigações.
Santa Catarina enfrentou durante cerca de cinco meses ataques a ônibus, viaturas e prédios públicos. Ao todo, foram registrados 114 atentados em 37 municípios catarinenses: Araquari, Camboriú, Criciúma, Gaspar, Jaraguá do Sul, Laguna, Navegantes, São Francisco do Sul, Tubarão, Indaial, Brusque, Garuva, São Bento do Sul, Porto União, Imbituba, Guaramirim, Balneário Rincão, Água Doce, Lages, Balneário Camboriú, Chapecó, Florianópolis, Itajaí, Joinville, Maracajá, Palhoça, São José, Ilhota, Blumenau, Bom Retiro, São João Batista, Rio do Sul, São Miguel do Oeste, Içara, Campos Novos, Itapoá, Rio Negrinho.
