Juiz ouve testemunhas pra decidir se Elize Matsunaga vai a júri

Por Marina Novaes

Começou às 11h desta segunda-feira a audiência no fórum criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, que julga a viúva do empresário Marcos Matsunaga, a assassina confessa dele, Elize Matsunaga. O juiz Adilson Paukoski Simoni deve ouvir cinco testemunhas para determinar se a ré vai a júri popular.

No entanto, essa decisão não sairá hoje, já que a Justiça ainda tem que ouvir mais uma testemunha, no dia 26, além de interrogar Elize, que só vai depor após as oitivas. Ela já está na carceragem do fórum, onde responde a acusação de ter matado o marido com um tiro e depois o esquartejado.

A audiência deveria ouvir seis pessoas, mas Nathália Vila Real Lima, a suposta amante do empresário e que teria motivado o crime, não foi localizada.

A sessão começou com o depoimento de Walter Sérgio de Abreu, delegado da Polícia Civil responsável pelas investigações. O depoimento dele durou cerca de 20 minutos e foi assistido por Elize. O policial e Cecília Yone Nishioka estão arrolados como testemunhas de acusação.

Pela defesa, irá falar a babá de Elize, Mauriceia José Gonçalves dos Santos. Nathália também deveria falar em defesa da viúva, mas faltou. A data do novo depoimento dela não foi determinada.

Também vão depor duas testemunhas comuns, convocadas tanto por defesa quanto pela acusação, que são dois peritos que inspecionaram o local do crime e o corpo de Marcos, Jorge Pereira de Oliveira, Ricardo Salada.

Empresário é esquartejado

Executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi considerado desaparecido em 20 de maio. Sete dias depois, partes do corpo foram encontradas em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo apuração inicial, o empresário foi assassinado com um tiro e depois esquartejado. Principal suspeita de ter praticado o crime, a mulher dele, a bacharel em Direito e técnica em enfermagem Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 4 de junho. Ela e Matsunaga eram casados há três anos e têm uma filha de 1 ano. O empresário era pai também de um filho de 3 anos, fruto de relacionamento anterior.

De acordo com as investigações, no dia 19 de maio, a vítima entrou no apartamento do casal, na zona oeste da capital paulista e, a partir daí, as câmeras do prédio não mais registram a sua saída. No dia seguinte, a mulher aparece saindo do edifício com malas e, quando retornou, estava sem a bagagem. Durante perícia no apartamento, foram encontrados sacos da mesma cor dos utilizados para colocar as partes do corpo esquartejado do executivo. Além disso, Elize doou três armas do marido à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo antes de ser presa. Uma das armas tinha calibre 380, o mesmo do tiro que matou o empresário.

Em depoimento dois dias depois de ser presa, Elize confessou ter matado e esquartejado o marido em um banheiro do apartamento do casal. Ela disse ter descoberto uma traição do empresário e que, durante uma discussão, foi agredida. A mulher ressaltou ter agido sozinha. No dia 19 de junho, o juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri no Fórum da Barra Funda, aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e decretou a prisão preventiva da acusada.