Mensalão: "Eu não vou fugir do Brasil", afirma José Dirceu
Réu no processo do mensalão, José Dirceu afirmou, em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que não vai deixar o país. "Eu não estou deprimido. Eu não tenho razão para estar deprimido. Eu tenho objetivos, metas, sonhos. Eu acordo às seis da manhã todos os dias. Recebo o resumo das notícias que a equipe do meu blog envia. Eles já sabem o que me interessa. Estão comigo há cinco anos. Funcionamos por telepatia."
Seis quilos mais magro, Dirceu afirma que tem feito ginástica e nega que esteja abatido por causa do julgamento.
"Muita gente me visita. Não tem um dia em que não venham duas, três pessoas me ver, aqui ou na minha casa em Vinhedo." O ex-presidente Lula é um dos que fazem contante contato: "Não me falta companhia."
"Não é que não tem prova no processo contra mim. Eu fiz a contraprova. Eu sou inocente. Eu confio na Justiça", afirma Dirceu na entrevista. "Isso daí [resultado do julgamento] vai demorar dois meses para acontecer. Vou ser julgado por corrupção ativa no fim do mês ou no começo de outubro. Em mais quatro semanas, serei julgado por quadrilha. Por que vou sofrer por antecipação? Na hora em que acontecer, vou ver o que fazer."
Dirceu fala ainda das expectativas com relação ao seu futuro: "Eu fui cassado pela Câmara dos Deputados [em 2005] sem provas. De lá para cá, eu sofri um linchamento como corrupto e quadrilheiro. Eu estou preparado para qualquer resultado. E não vou deixar de fazer o que sempre fiz, que é lutar. É ilusão achar que eu vou... não faz parte da minha personalidade eu me abater. Se alguém tem a ilusão de que, me condenando, cometendo essa violência contra mim, vai me derrubar, pode tirar o cavalinho da chuva."
O ex-ministro prossegue: "Essa história que inventam de que vou sair do Brasil não combina comigo. Saí [na década de 60] porque fui expulso do país. Cassaram a minha nacionalidade. Eu era um apátrida, não podia viajar. Quem me impedia de voltar era a ditadura militar. E mesmo assim eu voltei para o Brasil, duas vezes, colocando a minha própria vida em risco. Eu iria embora agora?"
