CPI mista do Cachoeira vai custar R$ 200 mil ao Senado
Estabelecida há cerca de um mês, a CPMI de Carlos Cachoeira, criada para investigar as relações do bicheiro nas operações Vegas e Monte Carlo, terá um custo de cerca de R$ 200 mil para o Senado. Tornando-se a investigação é a mais cara do Congresso desde 2007. Os gastos, referentes a compra de passagens, hospedagens e diárias, foram colocados à disposição dos integrantes da comissão, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.
Em cinco anos, as CPIs já custaram R$ 202.869,53 ao Senado, de acordo com a Secretaria de Finanças, Orçamento e Contabilidade da Casa, responsável Pelos custos da operação. O valor está relacionado às investigações sobre violência contra a mulher (R$ 115.537,59), o MST (R$ 60.371,40) e apagão aéreo (R$ 26.960,57). O Senado não informou os gastos com a CPMI dos cartões corporativos. O maior custo é com passagens. A CPMI da Violência contra a Mulher, iniciada em 2011, gastou R$ 78.894,39 com bilhetes aéreos.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a máfia de caça-níqueis em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares conhecido como mensalão.
A operação da Polícia Federal, a Monte Carlo, que revelou a ampla rede de conexões que o empresário do jogo mantinha no Congresso, tanto na oposição como na base aliada. O ex-senador Demóstenes Torres (GO) foi o primeiro atingido. Uma série de gravações de escutas telefônicas mostraram que um dos mais combativos políticos do Congresso usava sua influência e credibilidade para defender os negócios de Cachoeira em troca de ricos presentes.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.
Com Informações do Terra
