Metrô e prefeitura tentam minimizar impacto da greve em SP
O Metrô de São Paulo e os órgãos de trânsito da prefeitura preparam um esquema especial para tentar minimizar os efeitos da greve dos metroviários, deflagrada na noite de terça-feira. A paralisação por tempo indeterminado teve início à 0h, mas os primeiros trens só deveriam entrar em circulação às 4h40.
Apesar da previsão inicial de que apenas a linha 4-Amarela funcionaria nesta quarta, por pertencer a um consórcio público-privado, a linha 5-Lilás está funcionando normalmente nesta manhã, de acordo com informações do Metrô.
A Companhia do Metrô acionará o Plano de Apoio entre Empresas de Transporte frente a Situações de Emergência (Paese) para seus quatro milhões de usuários. Assim, a SPTrans deverá desintegrar as linhas de ônibus dos terminais urbanos, para que os coletivos cheguem até o centro da cidade. Ainda de acordo com o Metrô, a companhia preparou um esquema para garantir o acesso dos seus empregados que não aderirem à greve aos postos de trabalho.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o Rodízio Municipal de Veículos, que determinava que os carros com placas finais 5 e 6 estivessem proibidos de circular nesta quarta. A CET também irá implantar um plano operacional com objetivo de minimizar os impactos ao trânsito e à mobilidade nos principais corredores, com ênfase naqueles que dão acesso às estações de Metrô.
Sem acordo
O Sindicato dos Metroviários rejeitou a proposta de aumento do Metrô, que significava uma reposição de 4,15% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e 1,5% de ganho real. A categoria reivindica reajuste de 5,13%, baseado no índice IVC/Diese, que mede a variação do custo de vida das famílias com renda de um a 30 salários mínimos, e aumento real de 14,99%. Além do reajuste, os metroviários querem um adicional de periculosidade de 30% (atualmente recebem 10%) e a equiparação salarial entre os profissionais que exercem as mesmas funções.
Já a proposta feita ao governo pelos metroviários de liberar as catracas em lugar de paralisar as atividades não foi aceita pela administração estadual.
Sem acordo, a Justiça não autorizou a paralisação e estabeleceu em R$ 100 mil a multa ao sindicato para cada dia parado. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT2) determinou 100% do efetivo nos horários de pico, compreendidos entre 5h e 9h e 17h e 20h, e 85% nos demais horários. Haverá uma nova assembleia ao meio dia desta quarta-feira, e o sindicato se declarou aberto a receber qualquer proposta neste espaço de tempo.
CPTM
Além do Metrô, os funcionários das linhas 11-Coral e 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) decidiram entrar em greve nesta quarta-feira, por tempo indeterminado. Em nota, a CPTM classifica a decisão de "arbitrária" e afirma que a greve será iniciada "mesmo com o processo de negociação em aberto". "A companhia espera que a categoria seja responsável e cumpra a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) de manter 85% do quadro operacional e de manutenção das linhas 11 e 12, nos horários de pico (das 5h30 às 10h e das 16h às 20h30), e 70% nos demais horários", diz o texto.
