Promotora diz que Lindemberg sentia 'ódio' de Eloá 

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Começou por volta das 10h desta quinta-feira o debate entre acusação e defesa no julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel após mantê-la em cárcere privado por 101 horas. O debate iniciou com a promotora Daniela Hashimoto, que antes de começar a falar, distribuiu cópias dos autos aos jurados. Segundo ela, Eloá era apenas um objeto nas mãos de Lindemberg. "Ele tinha ódio dela", afirmou.

O debate é a fase do processo que antecede a deliberação dos jurados, quando advogados de defesa e promotoria têm, inicialmente, uma hora e meia, cada um, para exporem seus argumentos finais. No fórum, Lindemberg acompanhou toda a exposição de Daniela, que garantiu que ele tinha em mente o que ia fazer aquele dia no apartamento da jovem.

A promotora chegou a pedir que os jurados se colocassem no lugar das vítimas. "Coloquem-se no papel das vítimas", disse Daniela. Ela garantiu que a mensagem recebida no celular de Eloá foi o motivo do primeiro disparo efetuado por Lindemberg, que atingiu um computador. A mensagem referida foi a que um amigo de Eloá, Felipe, mandou para a jovem e que dizia "Amor, eu te amo e estou com saudades".

O mais longo cárcere de SP

A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.