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RS: cotado para lugar de Lupi, deputado não quer saída de ministro

Por Mauricio Tonetto

Porto Alegre - O deputado federal gaúcho Vieira da Cunha (PDT), amigo e correligionário do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse nesta quinta-feira, em Porto Alegre (RS), que seria "antiético falar sobre a substituição de um companheiro". Ele é cotado para assumir o ministério em uma possível demissão de Lupi, que sofre pressão do próprio PDT para deixar a pasta depois da divulgação de que viajara ao Maranhão a bordo de um avião providenciado pelo diretor de uma ONG que detém contratos milionários com o ministério. "Eu defendo que ele continue no cargo", ressaltou Vieira da Cunha.

"Não estamos tratando da substituição. Eu sou amigo e companheiro do Lupi e seria antiético falar sobre isso. É uma especulação. Eu penso que o partido não deve falar desse assunto", disse o parlamentar gaúcho. Segundo ele, um grupo minoritário do PDT quer a saída de Lupi. "A grande maioria dos companheiros têm a posição que eu defendo, que é a de continuação no cargo. Se a presidente Dilma Rousseff (PT) disse confia nele, não vejo razão para que ele saia", afirmou o deputado.

Em depoimento na Comissão de Assuntos Sociais do Senado nesta quinta-feira, o ministro disse que sua permanência no primeiro escalão do governo federal depende exclusivamente da presidente Dilma. "Conversei com ele ontem e hoje e o Lupi não está disposto a deixar o cargo, pelo contrário", salientou Vieira da Cunha.

Ao rebater críticas à sua gestão no Ministério do Trabalho, Carlos Lupi apelou à tese de que "forças reacionárias" querem derrubá-lo da pasta "no tapetão". "(Existem) forças reacionárias que aproveitam possíveis falhas e possíveis erros para nos fazer dividir. Estamos na causa certa, do lado certo e, mais, no lado que tem representado a base essencial da história do trabalhismo", argumentou o ministro. "A nossa presença no governo é a afirmação da nossa causa. Estamos ganhando antagonismos, forças grandiosas que são contra o que a gente pensa porque estamos defendendo essa causa."

Durante o depoimento que prestou aos senadores, Lupi também afirmou que Dilma pediu que ele continuasse como auxiliar do governo federal. Ele, que foi prestar explicações diretas à presidente na quarta-feira, se negou a comentar no Senado o teor da conversa, mas resumiu: "lealdade tem que ser a marca e o princípio do ser humano. Só vou me limitar a dizer que ela pediu para que eu continuasse."

Lupi retornou ao Senado após a divulgação de que ele teria mentido ao negar que viajara ao Maranhão a bordo de um avião providenciado pelo diretor de uma ONG que detém contratos milionários com o Ministério do Trabalho. A aeronave para que o ministro cumprisse agenda oficial em sete municípios maranhenses teria sido providenciada por Adair Meira, que controla ONGs com contratos de cerca de R$ 14 milhões com a pasta.

A mistura de interesses públicos e privados, como caronas fornecidas por empresários, é proibida pelo Código da Alta Administração Pública Federal, que reúne um conjunto de condutas éticas esperadas de agentes públicos. Aos senadores, Lupi disse que não tem "relação pessoal" com Meira.