"Discurso de Dilma não teve nada de novo", diz ex-embaixador
O discurso de Dilma Rousseff na abertura da 66ª Assembleia-Geral da ONU, na manhã desta quarta-feira (21), causou boa impressão em Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Londres durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1994-1999). "Achei o discurso bastante positivo e afirmativo, mas não trouxe nada de novo. O que Dilma fez foi reafirmar a posição do Brasil em defender a criação do Estado Palestino e a colocação do país como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU", afirmou em entrevista.
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A presidente Dilma foi a primeira mulher a abrir uma Assembleia da ONU - honraria tradicionalmente dada ao Brasil. Além de falar sobre a criação do Estado Palestino e a entrada do Brasil como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, Dilma defendeu a criação da ONU Mulher, com Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, à frente da organização, e se posicionou sobre a crise internacional. "É significativo que seja a presidenta de um país emergente quem venha falar sobre a crise que atinge países desenvolvidos", declarou.
Dilma falou também sobre a chamada "Primavera Árabe" e afirmou que os países emergentes, como o Brasil, menos atingidos pela crise, "podem ajudar" os países desenvolvidos que passam atualmente pela crise econômica, como Estados Unidos, Grécia, Espanha, entre outros. Essa declaração também agradou ao ex-embaixador. "Achei muito bom que a presidente tenha oferecido os países emergentes para apoiar a recuperação da economia global", declarou Barbosa, que está em Nova York acompanhando a Assembleia.
Depois de Dilma defender o Estado Palestino, foi a vez do presidente dos EUA, Barack Obama, discursar, e falar que esse é um problema que deve ser resolvido entre judeus e palestinos e que não deve envolver a ONU.
No entanto, o ex-embaixador não acredita as diferenças entre os discursos de Dilma e Obama possam gerar atritos diplomáticos. "O que vimos foi apenas cada presidente reafirmando a posição de seu país".
