PMDB minimiza saída de ministro do Turismo: é 'página virada'
O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), buscou minimizar nesta quinta-feira o desgaste que sofreram os peemedebistas com a demissão do ministro do Turismo, Pedro Novais (MA), o terceiro do partido a deixar o governo da presidente Dilma Rousseff em pouco mais de oito meses de gestão. Ao participar do Fórum Nacional do PMDB, em Brasília, o líder da legenda no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também evitou dar peso político ao desembarque de Novais do primeiro escalão do governo federal. "É página virada", resumiu.
"Sem nenhuma sequela. Isso faz parte da democracia. Em qualquer democracia é natural a alternância de poder, o rodízio entre auxiliares, assessores. Quem não se lembra do primeiro governo do presidente Lula com uma escala mais ou menos igual a essa? Espero que a gente viva para sempre a democracia e vai continuar havendo essas trocas de auxiliares e ministros. Nem todos os ministros que saíram houve comprovação de absolutamente nada contra eles. Todos eles pediram para sair", opinou Raupp.
"Absolutamente (nenhuma rusga). O PMDB está vivendo em sua relação com a presidente Dilma e com o governo como um todo um excepcional momento. Isso (demissões) é um processo natural, ocorre em todos os partidos, e o partido respondeu da melhor maneira possível, com rapidez, com precisão. Ou seja, deu as respostas que precisavam ser dadas", completou Calheiros para, em seguida, elogiar o novo ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA). O sucessor de Pedro Novais na pasta é ligado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
"O Gastão é um dos melhores quadros do PMDB, tem todas as condições de fazer uma grande gestão no ministério, foi escolhido pela presidente dentre as alternativas que o partido deu. A expectativa que temos em relação a ele é a melhor possível. Página virada. O PMDB fez o que a circunstância recomendava que fosse feito. A expectativa que temos em relação ao Gastão é que possa ser um grande ministro com muitos resultados nesse momento excepcional que vive o País de Copa do Mundo e de Olimpíada", afirmou o parlamentar.
A crise no Turismo
Pedro Novais (PMDB) entregou o cargo de ministro do Turismo no dia 14 de setembro, depois de sua situação política ter se deteriorado por suspeitas de que ele teria usado recursos públicos para o pagamento de uma governanta e de um motorista para a família. A denúncia não foi a primeira e tornou a permanência de Novais insustentável, apesar do apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele foi o quinto ministro a deixar o posto no governo Dilma Rousseff.
A crise no Turismo começou com a deflagração da Operação Voucher, da Polícia Federal (PF), que prendeu, no início de agosto, 36 suspeitos de envolvimento no desvio de recursos de um convênio firmado entre a pasta e uma ONG sediada no Amapá. Entre os presos estavam o secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, e um ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Dias depois, o jornal Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Novais teria sido alertado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as irregularidades do ministério 47 dias antes da operação da PF, sem tomar qualquer medida. Novais negou que tivesse recebido o aviso.
No dia 20 de agosto, a Folha de S.Paulo afirmou que uma emenda ao Orçamento da União feita por Novais em 2010, quando ainda era deputado federal, liberou R$ 1 milhão do Ministério do Turismo a uma empreiteira fantasma. O jornal voltou à carga em setembro, denunciando que o ministro teria usado dinheiro público para pagar a governanta de seu apartamento em Brasília de 2003 a 2010, quando ele era deputado federal pelo Maranhão. Em outro caso, o ministro utilizaria irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular de sua mulher, Maria Helena de Melo.
