Únicas irregularidades foram cometidas por Jucazinho, diz ministro da Agricultura

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O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que as únicas denúncias feitas pela revista Veja que são procedentes em relação ao ministério referem-se a irregularidades cometidas pelo ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto. “O ex-diretor tenta transformar caso administrativo, em que foi pego cometendo irregularidades, em caso político”, disse o ministro, em audiência na Câmara. 

Oscar Jucá Neto foi demitido da Conab 10 dias após ter sido nomeado para o cargo, por ter sido responsabilizado pela transferência irregular de R$ 8 milhões no sistema da empresa estatal. 

Pelas normas da companhia, segundo o ministro, todo pagamento acima de R$ 50 mil deve ser encaminhado para avaliação da Advocacia-Geral da União (AGU), da diretoria colegiada da Conab e do Ministério da Agricultura, antes de ser liberado, e Oscar Jucá desobedeceu essa norma.

Wagner Rossi disse que o repórter da Veja recebeu documentos rebatendo as denúncias publicadas no último sábado (30) contra ele, mas optou por não publicá-las. Em entrevista à Veja, Jucazinho citou como irregularidades no ministério um acerto com a Caramuru Alimentos para postergar o pagamento de uma dívida em troca de recebimento de propina. O senador Gim Argello (PTB-DF) também foi citado na reportagem como homem influente na Conab e beneficiário de um esquema de venda de terrenos da Conab abaixo do preço de mercado.

Rossi negou a denúncia de que um terreno da Conab situado no Setor de Clubes Norte, em Brasília, foi vendido a uma pequena empresa por preço abaixo do valor de mercado. O comprador, Hanna Massouh, seria amigo e vizinho do senador Gim Argello (PTB-DF). O ministro afirmou que o terreno foi vendido por preço justo.

Rossi destacou que a avaliação feita pela Caixa Econômica Federal estipulou o preço do imóvel em R$ 8,030 milhões. O preço arrematado em concorrência pública foi de R$ 8,1 milhões. “A alegação de que o terreno foi vendido por um quarto do valor, como aponta Veja, é infundada”, disse o ministro. “Além disso, diferentemente do que informa a revista, a operação de venda do terreno não foi realizada durante a minha gestão”, completou.