PMs são acusados de matar irmão de ladrão de celular em MG 

Por José Guilherme Camargo

A Polícia Civil aponta um fazendeiro como o responsável pela contratação de policiais militares, membros de grupo de extermínio, para matar um homem suspeito de furtar um celular na sua propriedade, em Governador Valadares, região leste de Minas Gerais. O cabo da PM e dois ex-policiais militares, membros da quadrilha, executaram o homem errado, segundo o delegado que investiga o caso, Jeferson Botelho.

O crime aconteceu quando a vítima, Vanderlei Cardozo Estevão, saía de uma festa na cidade de Tumiritinga, próxima a Governador Valadares, na madrugada de domingo, e foi surpreendida pelos suspeitos. Ele estava no carro do irmão, Davi Cardozo, suspeito de ter furtado um celular na propriedade do fazendeiro.

Segundo Botelho, Vanderlei foi confundido com o irmão, que estaria sofrendo ameaças de morte do filho do proprietário. "É um fazendeiro poderoso, ainda não podemos identifica-lo, mas essa é uma linha forte de investigação", disse.

O ex-cabo Marcos Almeida Araújo, 38 anos, o ex-sargento Roberto Carlos Reis, 47 anos, e o cabo Simão Conrado Pires Junior, 44 anos, foram identificados por testemunhas e presos nas proximidades do crime. Eles são investigados por participarem de um grupo de extermínio que seria responsável por diversos homicídios na região de Valadares. Segundo o delegado, aproximadamente 71 assassinatos poderão ser de responsabilidade do grupo. "Vamos fazer um link com outros crimes sem autoria em Valadares. Um trabalhou 18 e outro 20 anos na polícia, são pessoas que aprenderam a tática da PM e estariam a utilizando para o mal", disse.

O delegado apresentou nesta segunda-feira alguns objetos como bonés, munições de grosso calibre, peruca feminina, toca ninja, armas de grande poder e um mapa da cidade de Valadares, que foram apreendidos no carro dos suspeitos. "São somente dois dias de investigação, vamos apurar a participação de todos neste e em outros crimes", afirmou.