Bolsonaro: "Não temo cassação porque o Conselho é heterossexual"
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse não temer uma possível cassação agora que foi instaurado um processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
"Não temo, sabe por quê? Pode anotar aí. Porque a maioria dos deputados e a maioria do Conselho é heterossexual e defende a família", alegou.
A ação no Conselho reúne duas representações contra o deputado, ambas apresentadas pelo Psol. A primeira é pelas declarações de Bolsonaro ao programa CQC em março. A segunda é pela troca de insultos entre o deputado e a senadora Marinor Brito (Psol-PA), em maio. Em abril, Bolsonaro já havia sido notificado pela Corregedoria da Câmara por acusações de racismo em sua fala na TV. Na época, ele respondeu a pergunta da cantora Preta Gil sobre o que ele faria se seu filho namorasse uma negra dizendo que consideraria uma "promiscuidade".
Sobre a discussão com Marinor, ele nega que tenha insultado ela diretamente. "Ela me deu um tapa, me chamou de corrupto, de homofóbico, mas eu não discuti com ela". Apesar disso, não se furta a atacar a parlamentar do Psol. "Ela é heterofóbica, não deve ter um macho. Ela me chama de homofóbico e tudo certo, eu chamo de heterofóbico e é crime". E continua:
- Qual é a feminilidade da senadora Marinor? Ela é um trator.
Sobre as acusações de racismo, ele repete que foi mal compreendido. - Se você colocar a minha resposta numa lousa e perguntar pra qualquer criança dizer sobre o que é que eu tava falando, qualquer um vai dizer que é sobre gays e não sobre negros.
No Conselho de Ética, o relator pode pedir desde a cassação do mandato do parlamentar até uma simples advertência, passando pela suspensão do mandato ou das prerrogativas de 15 dias a seis meses.
Bolsonaro diz que não gostariade sofrer com nenhum "meio termo". "Eu prefiro ser cassado do que receber uma advertência qualquer porque nenhum deputado teria coragem de me acusar de racista"
