Mais de 3 mil armas foram roubadas da Justiça desde 2004, diz relatório

Por

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que foi relator da CPI do Tráfico de Armas e da Violência Urbana na Câmara dos Deputados, divulgou relatório nesta quinta-feira que revela o número de armas sob guarda da justiça que foram roubadas nos últimos anos. De acordo com Pimenta, desde 2004, 3259 armas foram furtadas de 73 fóruns brasileiros.

Em seu levantamento, o parlamentar gaúcho reitera que a falta de segurança, carência de recursos humanos, instalações inadequadas são fatores que facilitam a ação dos criminosos, que se aproveitam da vulnerabilidade das varas criminais brasileiras para resgatar um “verdadeiro arsenal”. Nesta semana, o Conselho Nacional de Justiça demonstrou preocupação com o armamento que está sob guarda do judiciário. Segundo o CNJ, são mais de 750 mil armas sob posse do judiciário em todo o Brasil.

“A lei estabelece que a Justiça é  responsável pelas armas que fazem parte de processos e servem como provas criminais, mas, em nenhum momento, a legislação aponta que o fórum deva servir de depósito para esse armamento. Nenhum fórum tem condições de armazenar armas”, afirmou Pimenta.        

Paulo Pimenta defende a inutilização das armas que estão sob custódia judicial como medida para inibir a ação dos bandidos. Para o deputado petista, as armas de fogo que fazem parte de processos criminais devem ter seus mecanismos modificados, tornando esse armamento indisponível para o disparo.

“É inadmissível que armas com potencial de uso continuem sendo armazenadas em fóruns, que são locais que apresentam grande fragilidade na segurança. Essa prática só alimenta as fontes de desvios de armas e munições com destino ao crime”, alertou Pimenta

 A Ordem dos Advogados do Brasil também defende a proposta de Pimenta. O parlamentar ainda lembra que, na maioria das varas criminais, a segurança é realizada por empresas terceirizadas, e, em determinados horários, por uma ou duas pessoas no máximo, situação que contribui para a vulnerabilidade das instalações. A utilização de novas tecnologias, treinamento de recursos humanos, padronização dos procedimentos de depósito e a construção de locais apropriados para o armazenamento armas também são apontados pelo deputado gaúcho como medidas que devem ser executadas com intuito de combater os roubos de armas que estão sob a guarda do judiciário.