Polícia Civil atribui a PMs 150 assassinatos em 4 anos em SP
SÃO PAULO - Um relatório da Polícia Civil responsabiliza dois grupos de extermínio formados por policiais militares por pelo menos 150 mortes na cidade de São Paulo entre 2006 e 2010. Entre as vítimas, 61% não tinham antecedentes criminais, sendo que 20% dos crimes teriam sido motivados por vingança, 13% por abuso de autoridade, 13% pelo que o relatório chama de "limpeza" (como o assassinato de viciados em drogas), 15% por cobranças ligadas ao tráfico ou ao jogo ilegal e 39% "sem razão aparente". As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
A investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) acusa 50 PMs de formar e unir os grupos das zonas Leste e Norte (o "Matadores do 18") para assumir o controle do tráfico de drogas e explorar jogos de azar.
Soldados do 18º Batalhão da PM são suspeitos de ter matado, em 2008, o coronel e então comandante da corporação na área José Hermínio Rodrigues. Valdez Gonçalves dos Santos, considerado chefe do grupo da Zona Leste, foi preso em 2010 e será julgado em maio deste ano.
Seu advogado, Celso Machado Vendramini, diz que as acusações "não passam de pura maldade por parte do Departamento de Homicídios".
Doze mortes atribuídas ao grupo de extermínio "Os Highlanders", que decapitava as vítimas, não constam no relatório, que computou apenas mortes na capital paulista, enquanto investigações apontam que os Highlanders jogavam os corpos de suas vítimas em Itapecerica da Serra, na região metropolitana.
