Entre tapas e beijos, PT e PDT ensaiam reconciliação
Planalto mantém aliado por perto e nega divergências com o partido da base
A votação do salário mínimo no Congresso foi a prova de fogo da presidente Dilma Rousseff. Com maioria ampla nas duas Casas, não houve dificuldade em aprovar o valor de R$ 545, contrariando a oposição e alguns aliados. O resultado gerou uma celeuma entre o governo e o PDT – dividido na votação – e um dos principais aliados do Planalto no Legislativo. Os dois lados amenizam a crise e garantem que o episódio não passa de águas passadas. Mas a relação com o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, ainda é um mistério.
Em declarações à imprensa, há alguns dias, o sindicalista – condenado por improbidade administrativa pela Justiça Federal no último dia 3 – disse estar de “saco cheio do PT” e prometeu não arredar o pé na defesa da dedução na tabela do Imposto de Renda segundo a inflação, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim do fator previdenciário. Durante a votação do salário mínimo, ele e outros integrantes do PDT votaram pela emenda que fixava o mínimo em R$ 560.
Em resposta à votação na Câmara, o PT deixou o PDT de fora da reunião com a presidente Dilma após a aprovação da proposta defendida pelo governo. O Executivo, contudo, tem dado sinais de que pretende manter o aliado fiel, pelo menos quando o assunto não for diretamente ligado às questões dos trabalhadores. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, garante que governo e PDT “estão a caminho de resolver sua rusgas”, mas preferiu não entrar em detalhes.
