Requião diz que Dilma não precisava comprar briga do salário agora
A bancada inteira do PMDB votou de acordo com a proposta governista de salário mínimo de R$ 545, aprovada com folga na Câmara dos Deputados, quarta-feira (16). Essa fidelidade não será mantida na votação do Senado, exatamente uma semana depois.
"Aqui no Senado não será 100%', avisa Roberto Requião, do PMDB paranaense. "Eu provavelmente vou votar num salário com hipótese um pouco melhor".
Em conversa com Terra Magazine, o ex-governador afirmou que, por coerência, discorda do valor defendido pelo governo, que é a menor das opções: "O meu salário mínimo regional, no Paraná, era de R$ 765. Estou esperando que o (recém-empossado governador tucano) Beto Richa dê um aumento de, pelo menos, 10% esse ano. Como posso votar em R$ 545?".
Requião contou que deve se alinhar ao senador Paulo Paim, do PT gaúcho. "Possivelmente ele vai apresentar emenda de R$ 560", disse.
De qualquer forma, ele acredita que seja ratificado com tranquilidade o salário mínimo endossado pela Câmara. "Vai ser fácil, tá dominado pelo governo", avaliou. "É um voto de confiança, um voto de abertura. A presidente pediu. Mas não acho razoável", comentou.
O desgaste da discussão, o senador considera inoportuno neste início de mandato. "Dilma não precisava ter comprado essa briga agora. É uma sinalização, para o mercado financeiro, de que a política econômica será a mesma, que continuaremos pagando juros".
Embora ressalve as implicações de um reajuste, ele discorda do piso salarial do País. "Viver com um salário desse é uma loucura", opinou. "Se isso significasse aumento das políticas sociais, seria uma compensação. Nada de hostilidade ao governo federal, mas não concordo, acho um equívoco".
Requião não liga para o boato de retaliações a parlamentares da base aliada que não se alinharem à proposta governista. "Só tenho uma indicação no governo federal, que no momento é irremovível, não pode ser demitida: é a Dilma, fiz campanha para ela", ironiza.
No muro
Integrante da ala peemedebista mais distante do governo federal, o senador gaúcho Pedro Simon esquivou-se de um posicionamento:
"Vamos conversar. Sinceramente, nem parei para pensar nisso ainda. Vou refletir com muito cuidado".
