JB responde a Luiz Garcia
JB Online
DA REDAÇÃO - Em artigo intitulado 'JB', publicado na edição de 3.9.2010 de O Globo, o jornalista
Luiz Garcia incorpora a cômica figura formulada pelo Embaixador Roberto Campos para
caracterizar integrantes da pseudo-intelectualidade brasileira o arrognante , personagem
que mistura arrogância com ignorância.
A soberba recém-adquirida e a confortável superficialidade de Luiz Garcia são
financiadas pelas benesses do oligopólio midiático a que serve.
Nos últimos dias, grandes jornalistas, como Miriam Leitão, analisaram profundamente
a trajetória do Jornal do Brasil na TV Globo e no Globo. Outros, em vez de examinar a dinâmica
tecnológica que fez o JB tornar-se o primeiro 100% digital do País, optaram por rememorar
com nostalgia o JB dos anos 1950, 60 e 70.
Garcia, no entanto, em vez de analisar a evolução de técnicas e costumes, arroga-
se ministrar lições de moral. O acidental professor de ética ensina: o negócio do jornalismo
tem uma característica rara e vital: é negócio, mas também é serviço público . Como se
essa característica não estivesse também presente em empresas de alimentação, remédios,
hospitais, transportes, águas urbanas ou mesmo a padaria da esquina.
Que deve achar Luiz Garcia acha do (des)serviço público prestado à reconstrução
democrática no país pela empresa a que fisiologicamente se ligou?
Talvez Garcia considere a mão que o alimenta, e a que agora Garcia retribui
avassalado, o exemplo mais perfeito de ética jornalística e concorrencial. Ora, alguém com
honestidade intelectual e mínimo conhecimento da história recente do País pode achar que a
Globo ou O Globo são esses campeões da moral?
Os brasileiros não esquecem episódios desastrosos protagonizados pela empresa
que sustenta Luiz Garcia. Nos anos 60 e 70, publicações como o Jornal do Brasil resistiram
com altivez aos senhores da noite. Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com
animação. Tornou-se o jornal preferido do governo autoritário.
O jornal de Luiz Garcia estampava em editorial no fatídico 1o. de abril de 1964,
primeiro dia da implantação da Ditadura: Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias
gloriosos . Não surpreende se um Editorial como esse tenha sido escrito por Luiz Garcia.
Pretenso professor de moral, Luiz Garcia defende em seu artigo: O jornal exerce o
comércio de vender espaço para anunciantes, mas tem de fazê-lo segundo normas éticas .
A etiqueta de Garcia o faz olhar para o lado quando seu jornal pratica o dumping e
pressões quase criminosas contra anunciantes. Todo o mercado publicitário brasileiro sofre
com a prática do monopólio. Por ele, impõem-se veículos globais a agências de publicidade e
clientes. O Globo, ao exercer política de exclusividade , pratica níveis de descontos comerciais
em que, caso o cliente anuncie em outro veículo, é ameaçado de retaliação.
As agências e todos os outros veículos de comunicação no Brasil são vitima dessa
política, assim como dos incentivos dos veículos "globais". São as bonificações de volume,
os conhecidos BVs , com prêmios em dinheiro recompensa por determinados patamares
de faturamento que atinjam. Espécie de aliciamento a que, constrangidas, as agências se
submetem.
E pensar que Garcia, ao menos no nível do discurso, se arvora homem de supostos
princípios de esquerda a que cosmeticamente abraçou em anos não muito distantes.
É um erro achar que Luiz Garcia seja alheio à ética concorrencial do jornal que o
paga. Garcia, bastante conhecido no meio jornalístico por seu adesismo, é remunerado por
uma empresa campeã do capitalismo cartorial.
E aí Garcia tem razão, de fato, o leitor não é bobo.
