Correios faz campanha para candidatos conquistarem eleitores
Laryssa Borges, JB Online
BRASÍLIA - A estatal Empresa de Correios e Telegráfos iniciou na internet, por meio de um hotsite da estatal, uma espécie de campanha para que os candidatos a cargos eletivos em outubro utilizem serviços postais, como malas diretas, para angariar eleitores. A estratégia, intitulada "A comunicação postal é imbatível para conquistar eleitores", inclui consultoria aos candidatos com a opção de mostrar a mensagem a ser enviada ao eleitor a um representante dos Correios, dicas para elaborar textos, uma proposta de revisão das promessas feita pela própria empresa estatal e assistência, caso o político não tenha nomes e endereços dos destinatários de suas mensagens.
Na consultoria, um dos conselhos é explicar detalhadamente e em linguagem simples as propostas de campanha. "Não se esqueça de argumentar tudo. Afinal, o mais importante nessa hora é manter a mensagem na mente do eleitor", diz o hotsite dos Correios, única referência ao processo eleitoral contido no site da empresa.
"Utilize um texto leve, para que a pessoa tenha a impressão de ler algo que foi realmente escrito para ela", afirma outro trecho das dicas da estatal aos políticos. Todos os produtos são ofertados no endereço eletrônico com explicações sobre os objetivos de cada serviço e sobre como fechar contratos para cada um dos produtos.
Ainda entre as ferramentas de apoio à campanha - como um complemento às dicas - a estatal oferece o que classifica de serviço de "utilidades" no qual coloca à disposição do candidato um "escritório de consultoria e negócios em marketing direto" com funcionários dos próprios Correios, que, entre outras funções, se dispõem a "estabelecer parcerias", manter "relacionamento com o mercado", "propor projetos" e "sinalizar conceitos".
"É uma área especializada em consultoria, orientação e apoio, com a finalidade de promover o desenvolvimento do marketing direto, como também estimular e facilitar o uso dos serviços dos Correios", diz o site, cujos profissionais listam ainda opções para que o político avalie qual é a melhor alternativa tática para sua campanha: se contratar uma agência de marketing, se terceirizar o serviço, se escolher um papel de maior ou menor gramatura, ou se o formato da mala direta deve ser diferenciado ou convencional, por exemplo. "Não custa nada contar com um bom fotógrafo, um estúdio finalizador de qualidade e uma gráfica especializada", resume o trecho sobre marketing direto.
Na mesma sessão de marketing, os Correios sugerem que "identificar as preferências dos clientes é o primeiro passo para conquistar sua fidelidade". "O passo seguinte é manter essa relação com o envio de cartões de aniversário e de final de ano, brindes, convites, além de material com ofertas que caiam como uma luva no gosto do consumidor", afirmam as dicas, também contidas no hotsite. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, é proibida a distribuição de qualquer brinde a eleitores, podendo o político ser alvo de processo por compra de votos, além de poder pagar multa e correr o risco de perder o registro da candidatura ou o diploma.
Procurados pelo Terra, os Correios se comprometeram a retornar as ligações "assim que possível" para comentar se a prática de oferecer o site de cunho eleitoral viola ou não a legislação. À Folha de S. Paulo, o diretor comercial da estatal, Ronaldo Takahashi, admitiu que o material "extrapolou" as funções da empresa e que vai ser revisto. "Nós não podemos interferir no material que o candidato irá enviar ao seu eleitor", disse ao jornal.
Com a tese de que o serviço de mala direta ou de cartão resposta, por exemplo, "respeita" o eleitorado e "não é ostensivo e não invade a privacidade do eleitor", os Correios explicam em suas ofertas de produtos que, conforme a plataforma de campanha, os candidatos devem focar suas mensagens no público jovem ou de aposentados, por exemplo, e apontam que os textos devem ter ¿apelo emocional¿ para cativar o leitor.
"Todo candidato tem perfil próprio e uma causa principal a defender. São esses os elementos que atraem e conquistam eleitores. Com a segmentação, você sabe com quem está falando. Assim, pode falar do jeito certo, de forma direta e pessoal com o eleitor. Um texto, para convencer, não deve conter somente as informações e pronto. É importante que traga um apelo emocional para envolver e atrair a atenção de quem lê", diz a campanha da estatal.
