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Negada liberdade a Bruno e mais 6 presos por sumiço de Eliza

Por

Ney Rubens, Portal Terra

BELO HORIZONTE - O juiz da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Doorgal Andrada, negou, nesta quinta-feira, o pedido de habeas-corpus do goleiro Bruno e de mais seis pessoas presas acusadas de envolvimento no desaparecimento de sua ex-amante Eliza Samudio. Os advogados Ercio Quaresma e Claudinéia Carla Bundi haviam solicitado a libertação do atleta, de sua mulher, Dayanne Souza, de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Elenílson Vítor da Silva, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, Flávio Araújo, o Flavinho, e Sérgio Rosa Sales, o Camelo.

Na quarta-feira, Marcos Antônio Siqueira, advogado de Sales, já havia pedido o relaxamento de prisão e a liberdade para seu cliente no Fórum de Contagem. Sobre Quaresma ter entrado com habeas a favor também de seu cliente, Siqueira disse hoje que o trâmite normal é pedir primeiro o relaxamento para a juiz que ordenou a prisão. "Se um outro colega foi direto para a segunda instância, eu desconheço, mas toda ajuda é bem-vinda. O importante é meu cliente ser solto", afirmou.

Mais cedo, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) informou que recebeu um pedido de habeas-corpus para libertação do goleiro Bruno. Segundo o tribunal, o pedido foi feito por e-mail e é de autoria de João Carlos Augusto Melo, que mora no Rio de Janeiro e seria amigo do jogador. No entanto, o pedido foi arquivado.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.