No RJ, Serra diz que não tem plano para privatizações

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Portal Terra

RIO - O pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, defendeu nesta sexta-feira (14) "política industrial" e "defesa comercial", incluindo medidas antidumping, e prometeu ser o "presidente da produção" caso seja eleito, após almoço na ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro). Ele criticou a alta carga tributária e afirmou que não tem nenhum plano de privatizações, pois considera suficientes as que já foram feitas. Serra defendeu concessões de aeroportos e rodovias, no entanto, como forma de melhorar seus serviços. Ainda no terreno dos transportes, afirmou que "toda cidade com mais de 500 mil habitantes deve se preocupar com trilhos referindo-se a metrô e trens urbanos para não acabar na mesma situação que São Paulo".

No almoço na ACRJ, o primeiro de uma série com os pré-candidatos a presidente e a governador do Rio, Serra sentou-se entre o presidente do Conselho Superior da associação, Humberto Mota, e o presidente da Firjan (Federação das Indústrias do estado do Rio de Janeiro), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Na mesma mesa estavam o ex-governador Marcello Alencar, que é presidente de honra do PSDB do Rio, e o pré-candidato do PV ao governo do estado, Fernando Gabeira ¿ que apoia sua colega de partido, Marina Silva na corrida pela presidência mas é apoiado por Serra no Rio. Ao lado dele, estava o presidente nacional do DEM, o deputado federal Rodrigo Maia.

Outro que dividiu a mesa cm Serra foi o secretário de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, que afirmou ter ido representar o governador Sérgio Cabral (PMDB) - apoiador declarado de Dilma Rousseff (PT). Bueno referiu-se a Serra como "muito preparado, com boas ideias para o Rio".

Entre os convidados havia diversos deputados federais e estaduais dos partidos que apoiam Serra - PSDB, DEM e PPS -, entre eles pessoas que, na segunda-feira (10) haviam se encontrado com sua adversária Dilma Rousseff, como o prefeito de Resende, José Rechuan Junior, do DEM.

O ex-governador de São Paulo criticou a classificação da China como economia de mercado e afirmou que "os Estados Unidos fazem bem" políticas de defesa comercial, citando a cidade de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, para exemplificar indústria de produção de peças que poderia perder "dois mil empregos" com a concorrência chinesa.

A China também foi citada por Serra ao criticar as dificuldades de escoamento de produção no Brasil. "A soja que sai do Mato Grosso custa tanto para chegar até o porto de Paranaguá no Paraná quanto para ir de lá até a China", afirmou.

Defendendo a concessão de aeroportos, Serra deu uma alfinetada no governo Lula ao lembrar que não conseguiu fazer, em seu governo, uma via expressa de São Paulo até o aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, por parceria público-privada, por não haver "garantia" de construção do terminal 3 por parte do governo federal, que responsabilizou também por não ter podido conceder aeroportos no interior de São Paulo, como o de Ribeirão Preto.

José Serra também atacou o governo federal ao falar das rodovias em São Paulo, criticando o estado das estradas federais e ratificando a política de concessões nas vias estaduais, afirmando que, desta forma, fez algumas das melhores rodovias do país, entre reformas e construções, como a do rodoanel Mário Covas.

O tucano também sinalizou interesse em um antigo projeto de levar metrô até o limite entre São Gonçalo e Itaboraí - municípios da região metropolitana que ficam após Niterói -, passando pela Baía de Guanabara. O projeto existe, mas nunca saiu do papel.

Em entrevista coletiva após o evento, Serra afirmou que não tem nenhum plano de privatizações, afirmando que elas aconteceram nas áreas "fundamentais", como a telefonia. Ele irritou-se com a pergunta de um repórter da agência estatal Radiobrás que questionou se não havia chance de privatização de empresas como Petrobras e Caixa Econômica Federal. Após perguntar para qual veículo o jornalista trabalhava e receber a resposta, Serra saiu-se com uma resposta destemperada: "pergunta lá pros seus patrões".