Oposição não tem moral para falar de ética

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Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O PT está disposto a atender ao aparente chamado da oposição para fazer um debate ético nas eleições de outubro, como sinalizou desejar o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, em seu discurso de despedida do governo estadual de São paulo. Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, os governistas querem discutir o tema ética porque acreditam que a gestão Luiz Inácio Lula da Silva conquistou avanços no setor em relação ao período do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto.

Se os tucanos quiserem trazer o debate para a ética, ótimo. O PSDB e o DEM não têm moral para falar do termo ética. Temos muito o que mostrar no combate à corrupção. Se os tucanos vierem fazer o debate, vamos enfrentar o debate prometeu Padilha.

O ministro disse ainda que a disposição do presidente Lula é se envolver diretamente na campanha da ex-ministra Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto, sem desrespeitar, contudo, a lei eleitoral. A ideia é que Lula participe apenas dos eventos de campanha aos fins de semana e à noite. Segundo Padilha, a oposição não vai conseguir cercear a disposição do presidente de defender seus candidatos.

Estão querendo tolir o presidente de fazer campanha, mas ele pode fazer. A melhor coisa que podemos fazer é ter um governo bem avaliado provocou.

O ministro reafirmou, também, a disposição do presidente Lula de estar presente em palanques de candidatos aliados, especialmente em estados onde os partidos da base de apoio do governo federal conseguir unir forças e não disputarem a eleição com mais de uma candidatura.

O presidente já disse que o desejo pessoal dele é estar presente em Estados onde a base aliada estiver unida. Não tem posição fechada sobre isso, mas é o comentário que ele vem fazendo. Que todos possamos trabalhar para que a base esteja unida nos Estados afirmou Padilha.

As eleições ocuparam lugar de destaque na fala de Lula para os novos ministros do governo na reunião de segunda-feira. Além disso, o encontro começou com uma exposição do advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, sobre o comportamento esperado dos agentes públicos em ano eleitoral. Segundo Alexandre Padilha, nessa parte da reunião, os ministros tiraram suas dúvidas sobre o tema, principalmente em relação à propaganda institucional de programas e ações de ministérios no período de eleição.

O presidente deu aos ministros a orientação de seguir rigorosamente a Lei Eleitoral observou Padilha.

O ministro acrescentou que a participação da ex-ministra-chefe da Casa Civil na inauguração de obras ficará a critério do comitê de campanha, coordenado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo ele, a Advocacia-Geral da União e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República manterão contatos permanentes com os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a fim de evitar qualquer tipo de situação que infrinja a legislação eleitoral.

Para oposição, debate deve esclarecer caso dos aloprados

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), reagiu segunda-feira às declarações de autoridades do governo desafiando os oposicionistas a enfrentar o debate sobre a ética.

Já que a ministra está pronta para fazer o debate ético, gostaríamos de começar pelo dossiê dos aloprados ironizou o tucano, em referência ao episódio da campanha de 2006 que envolveu a participação de petista na suposta fabricação de dossiê contra adversários. Na ocasião, o caso foi batizado de escândalo dos aloprados pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se declarou, à época, ser historicamente contrário à qualquer tipo de dossiê político.

Segundo Guerra, o PSDB também quer explicações sobre o Caso Bancoop, em que a cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo é acusada de dar calote em vários associados quando era dirigida pelo atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. De acordo com a suspeita, o dinheiro teria sido utilizado para abastecer campanhas petistas.

Temos que conhecer melhor a biografia do Vaccari, que, na condição de tesoureiro do PT, assina o cheque para pagar o aluguel da casa da candidata cobrou o presidente do PSDB.

O senador também disse que a chamada mãe do PAC a pré-candidata petista Dilma Rousseff, deve explicações sobre as graves irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em várias obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Guerra também aproveitou para classificar como descabidas também quaisquer indagações sobre o apagão registrado durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Voltar atrás e perguntar por apagão velho, sem explicar o apagão novo, é algo que não faz o menor sentido declarou.