Promotor pede réplica e retoma debate com defesa do casal

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Portal Terra

SÃO PAULO - Após pouco mais de uma hora da explanação do advogado do casal Nardoni, Roberto Podval - ele poderia argumentar por até duas horas e meia -, o promotor Francisco Cembranelli utilizou o seu direito de réplica e retomou a sua argumentação às 17h45 desta sexta-feira, quinto e provável último dia de julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O representante do Ministério Público pode falar por mais duas horas, seguido de um direto de tréplica da defesa com o mesmo tempo.

Encerrada a fase de debates, o júri segue para o desfecho final. O Conselho de Sentença, formado pelos sete jurados, reúne-se na Sala Secreta com o juiz Maurício Fossen, promotor e advogados para a votação dos quesitos. O veredicto - absolvição ou condenação - será proferido após a apuração da votação secreta. Em seguida, o magistrado fará a leitura da decisão do júri no Plenário. Caso Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá sejam condenados, estabelecerá a pena ao casal.

Dia decisivo

O quarto e decisivo dia de julgamento começou com apenas 10 minutos de atraso, ao contrário dos demais dias, quando a sessão reiniciava mais de uma hora depois do previsto. Ao abrir os debates, o promotor foi irônico ao falar da versão apresentada pelo casal e sua defesa. "Se houve mesmo uma terceira pessoa, ela mostrou generosidade ao limpar o sangue no chão, devolver a tesoura na cozinha e ainda lavar uma fralda", disse.

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O promotor também ironizou o teste realizado pela defesa com o reagente químico Bluestar, na tentativa de provar que os mesmos resultados são obtidos usando resíduos de sangue ou de banana. "Será que só havia banana ali dentro ou teria sangue dentro do pote também?" Nesse momento, o advogado Roberto Podval respondeu com a frase "vou te mostrar o que é uma banana".

Por último, o promotor afirmou que, se Isabella tivesse sido assassinada por uma terceira pessoa, não haveria tanto cuidado em esconder as provas. "Se uma terceira pessoa tivesse matado Isabella, por que ela jogaria a menina pela janela?". Para ele, o agressor teria deixado a menina na cama e os familiares só perceberiam a morte dela no dia seguinte.

Choro

No tempo destinado à sua explanação, o advogado Podval chorou e disse que a experiência do promotor Cembranelli o intimida. Antes de contestar as provas da acusação, elogiou os jurados. Afirmou que, ao chegar ao júri, pensou que eles já possuíam opinião formada sobre o caso. No entanto, ao longo dos trabalhos, "conseguiu enxergar esperança em cada integrante do Conselho de Sentença".

O advogado contestou a cronometragem apresentada pelo Ministério Público para provar que o casal estaria no apartamento no momento do crime. Disse que cronometragens nem sempre são precisas. Para ele, mesmo com tarefas diárias, as pessoas gastam tempos diferentes. Na opinião dele, o único fato comprovado naquela noite é o horário que o casal desligou o carro.

O promotor fundamentou a sua argumentação na comparação entre a cronologia das ligações telefônicas dos vizinhos e a versão contada pelos réus. Segundo Cembranelli, é impossível que o pai de Isabella não estivesse no apartamento no momento em que a menina foi jogada.

Podval foi irônico quando falou da maquete utilizada pela promotoria. "Nossa, está faltando a garagem", disse, acrescentando que estava faltando também as gotículas de sangue da porta do quarto da Isabella. O advogado ainda disse, rindo, que "nas próximas maquetes eles melhoram".