Mensalão do DEM: PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão

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Portal Terra

BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) cumpre, desde a manhã deste sábado, 19 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal. A PF não quis divulgar os locais onde está realizando as buscas nem os objetivos para não comprometer os trabalhos. A corporação, contudo, afirma que a ação tem relação com a prisão do governador afastado José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido).

O governador do DF está preso, acusado de interferir nas investigações sobre o mensalão do DEM - suposto esquema de pagamento de propina a parlamentares -, no qual estaria envolvido.

De acordo com a assessoria de comunicação da PF, os agentes buscam documentos, computadores e mídias, como CDs. Um balanço completo da operação deve ser divulgado a partir das 17h deste sábado.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou neste sábado, em entrevista à rádio Jovem Pan, que Arruda deve ficar preso por até 30 dias.

Segundo Mello, o STF deve demorar entre 20 e 30 dias para julgar em plenário o pedido de habeas corpus de Arruda. O ministro disse que, se o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que pediu a prisão de Arruda, decidir relaxar a detenção, o político pode ser solto antes.

Mello explicou que a manutenção de Arruda preso na superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, afasta o sentimento de impunidade e de que "só pobre vai para a cadeia".

Sobre um impeachment de Arruda, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mello afirmou que não vai acontecer, porque esta possibilidade só ocorre quando o político é condenado em última instância, e o processo de Arruda ainda está em fase inicial.

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.