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Relator de processo contra Arruda renuncia ao posto

Por

Laryssa Borges e Keila Santana , Portal Terra

BRASÍLIA - O deputado José Carlos Machado (SE) desistiu nesta terça-feira de ser o relator do processo disciplinar que irá definir se o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), será ou não expulso do partido. A decisão foi comunicada ao presidente nacional da legenda, Rodrigo Maia (RJ), 30 minutos após o deputado ter sido anunciado como reponsável pelo processo interno.

De acordo com o gabinete do parlamentar, Machado não se sentiu à vontade para elaborar um parecer sobre o caso por não ter conhecimentos jurídicos suficientes para apontar eventuais irregularidades e sanções contra Arruda.

Ao explicar as razões da desistência, Machado afirmou ainda ter sido "pego de surpresa" com o anúncio de que relataria a eventual participação do governador no esquema do mensalão no Distrito Federal.

Maia disse que, até amanhã, deve escolher um novo nome para conduzir o processo. O deputado afirmou que mantém a data do dia 10 para a votação do relatório. "O deputado Machado disse que não é advogado, e sim engenheiro. Se fosse advogado, aceitaria o caso. Mas não há problema: amanhã escolho outro nome", disse.

A Executiva do DEM, que decidiu nesta terça abrir prazo para que o político democrata apresente sua defesa, deve expulsar o governador da legenda caso não apresente, como garantiu hoje, "provas irrefutáveis" da sua inocência.

Em um segundo momento, o DEM deverá analisar especificamente o caso do vice-governador do DF, Paulo Octavio (DEM), também citado na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, e suposto beneficiário do esquema de pagamento de propina a empresários e a deputados distritais da base aliada.

Único governador do DEM no Brasil, Arruda aparece em um vídeo, durante as investigações feitas pela PF, recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo então secretário de Relações Institucionais da gestão do político democrata, Durval Barbosa. Réu em 37 processos, Barbosa denunciou o esquema por conta da delação premiada, acordo feito com a Justiça para diminuição de pena em uma eventual condenação judicial.

O "mensalão" do governo, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

Entre as diversas gravações existem imagens de Leonardo Prudente, acompanhado do deputado Júnior Brunelli (PSC) e do próprio Durval Barbosa fazendo uma oração pelas "bênçãos" alcançadas.

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.