"Fora Sarney" leva poucos às ruas em MG, BA, SC e Brasília
Portal Terra
SÃO PAULO - As manifestações pela saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), previstas para este sábado em Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis e Salvador reuniram poucas pessoas nesta tarde. Ao lado do Congresso Nacional, na capital federal, aproximadamente 30 pessoas saíram em caminhada. Em Salvador, o grupo era de aproximadamente 100 manifestantes e, em Belo Horizonte, o protesto foi prejudicado pelo feriado de Assunção da Nossa Senhora.
Em Brasília, o grupo que se reuniu em frente ao Ministério da Saúde, ao lado do Congresso, era de 30 pessoas no início da caminhada na Esplanada dos Ministérios. Ao longo do trajeto, porém, alguns integrantes desistiram e abandonaram a manifestação. Alguns remanescentes chegaram a planejar ir até a frente da residência oficial do presidente do Senado, no Lago Sul, bairro nobre da cidade. Mas, até as 15h30, ninguém havia aparecido.
Ao contrário dos tradicionais protestos políticos, que se caracterizam pela presença massiva de jovens, em Florianópolis, a manifestação chamou atenção por reunir adultos e idosos. Em Salvador, ao contrário, os estudantes de Ensino Médio eram maioria, sobretudo os menores de 18 anos. Alguns professores se juntaram ao protesto, que reuniu em torno de 100 pessoas.
Em Belo Horizonte, cerca de 50 pessoas participaram do protesto na praça Sete, no centro da capital mineira. A pequena adesão, em consequência do feriado religioso, não incomodou nem desanimou os manifestantes.
- Começa assim mesmo, com pouca gente, mas se houver divulgação da mídia, principalmente, vai aumentando. É preciso que a população brasileira acorde, porque se nós não fizermos nada os políticos é que não vão fazer mesmo. Veja só o Senado, estão fazendo um acordo para salvar o Sarney - reclamou o engenheiro Aloísio de Araújo.
A aposentada Creusa Lages era uma das mais irritadas. "O Lula está patrocinando o Sarney lá. Fora os dois e toda a curriola. Chegou a um ponto, principalmente para o aposentado, que só resta ir para a rua. Virei todas as vezes que tiver o movimento. Fora Sarney, fora Collor (o ex-presidente e senador Fernando Collor), fora Renan Calheiros (senador do PMDB-AL), fora todos", afirmou.
Para exigir o fim da corrupção no Congresso Federal, os participantes levaram para a praça Sete balões, apitos, faixas e cartazes com frases de protesto. Em coro e com apitaço, gritaram "Fora Sarney", "O Senado é uma vergonha" e "Abaixo a corrupção".
A geógrafa Carla Bonfante, com uma faixa verde e amarela no pescoço, pediu a saída imediata de José Sarney da presidência do Senado Federal. "É o meu direito de ir contra toda essa bandalheira que acontece no Senado. Eu tenho que ser uma brasileira indignada. Eu defendo um Senado com moralidade. Ninguém pode achar que está acima de qualquer imoralidade. O atual presidente do Senado deve se julgar um homem como qualquer outro", disse.
- O povo não está satisfeito, está todo mundo indignado. O pessoal lá (no Congresso) fazendo aquela farra e o povo aqui sendo feito de trouxa - gritou o jornalista Fernando Linhares, que vestia uma camisa com as frases "Cadeia para ladrão" e "Alugaram o Brasil".
Sarney é acusado de cometer irregularidades na administração do Senado, empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por meio de uma fundação que leva o seu nome. Onze representações foram apresentadas contra ele no Conselho de Ética do Senado, por quebra de decoro parlamentar, mas todas foram arquivadas pelo presidente do órgão e aliado de Sarney, Paulo Duque (PMDB-RJ).
