Crise no Senado protege Petrobras de investigações, diz tucano

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Hermano Freitas, Portal Terra

BRASÍLIA - O relator do requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, senador Alvaro Dias (PSDB -PR), afirmou em entrevista ao Terra que a crise no Senado Federal agrada ao Planalto. De acordo com ele, a onda de denúncias de supostas irregularidades administrativas na Casa protege o governo, enfraquecendo as investigações de denúncias contra a estatal.

A CPI da Petrobras foi criada formalmente em 15 de maio, após a autorização da leitura do requerimento pelo vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO). Desde então, membros da bancada governista tem boicotado o início dos trabalhos da CPI mantendo quórum abaixo do mínimo.

Na semana passada, após cobrar o imediato início das investigações, o senador disse que a demora no início da CPI "ofereceu espaço para que novas denúncias surgissem". Ele afirma que a crise institucional é do interesse do governo Lula para manter o atraso da CPI e se proteger das denúncias.

- Não há dúvida que o governo gosta desta situação e que se protege (das investigações na Petrobras) com ela - diz.

O senador José Agripino Maia (DEM - RN) vê clima de "indisposição" para o início dos trabalhos da CPI nesta semana. Segundo ele, há ainda resistência do governo ao início dos trabalhos. Entretanto, afirma que não há mais "nenhum pretexto" para que não comecem as investigações.

- Se for necessário, o partido democratas irá obstruir a pauta para forçar a CPI - disse. Ele negou, no entanto, que a crise institucional da Casa seja empecilho para o início da CPI.

Diversos senadores da base governista foram procurados pela reportagem, mas até a publicação desta notícia não haviam se manifestado.