Sem instalação, CPI da Petrobras já entra na fase de incertezas

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Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Com reunião marcada para quarta-feira, às 10h, a instalação dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, na véspera do feriado de Corpus Christi, ainda é uma incógnita. No PMDB, o líder Renan Calheiros (AL) aguarda a reunião da CPI das ONGs para que o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) seja reconduzido ao cargo de relator.

Nesta semana, por uma interpelação do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), a Mesa Diretora do Senado deu parecer de que cabe ao plenário da CPI definir quem será o relator. Como os governistas têm maioria, esta recondução só deixa de ocorrer caso não haja reunião da comissão de inquérito que investiga irregularidades de repasses de recursos públicos a entidades filantrópicas.

Renan Calheiros disse que, resolvido esse problema, os trabalhos da CPI da Petrobras poderão começar na quarta-feira com a votação do presidente que, por sua vez, escolherá o relator. O líder do PMDB ressaltou que a bancada ainda não definiu se indicará o presidente ou o relator da comissão de inquérito.

Cotados

O senador João Pedro (PT-AM), um dos cotados para assumir a presidência caso os peemedebistas optem pela relatoria, é cauteloso na avaliação de quem ficará com os cargos de direção.

O PMDB colocou o Valdir Raupp (RO) como titular. Na política não é bom antecipar porque as mudanças acontecem muito rapidamente afirmou.

Na oposição, DEM e PSDB têm expectativas um pouco diferentes quanto à instalação da CPI na véspera do feriado de Corpus Christi. O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), acredita que haverá quórum no Senado para que a comissão inicie as atividades.

Ele ressaltou que a Casa tem que votar as indicações dos novos titulares do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na próxima semana. O mandato dos atuais representantes do conselho acaba no dia 15 de junho.

É preciso votar (as indicações para o CNJ). Se tem quórum para essa votação em plenário, terá para instalar a CPI disse o parlamentar, que não acredita em manobra para protelar as investigações sobre supostas irregularidades na estatal.

PSDB cético

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), atual relator da CPI das ONGs nomeado pelo presidente Heráclito Fortes (DEM-PI) por uma manobra regimental, não está tão convicto quanto seu colega de oposição.

Por um fervor religioso (motivado pelo feriado santo) nós temos que acreditar neste milagre.

Arthur Virgílio acrescentou que estará em Brasília esta semana para acompanhar o desenrolar das articulações na base aliada sobre a distribuição dos cargos de direção.

Ficarei furioso por deixar de estar em meu estado num feriado, se não instalarem a CPI por falta de quórum. Eles (senadores do PMDB e do bloco do governo) terão que rezar pelo menos 60 Ave-Marias. (com Agência Brasil)