Escolas particulares são mais procuradas do ensino profissional

Por

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - As instituições particulares de ensino concentram a maior parte (53,1%) dos alunos que frequentam ou já frequentaram cursos de educação profissional. Cerca de 19 milhões de pessoas participam de cursos oferecidos por essas entidades, enquanto as públicas respondem por um percentual bem mais baixo, de 22,4%, o que corresponde a oito milhões de brasileiros.

Neste ramo, estão incluídas escolas, faculdades, universidades e entidades, como sindicatos, igrejas e organizações não governamentais que oferecem qualificação para o trabalho, cursos técnicos de nível médio e graduação tecnológica. O restante dos 35,6 milhões de pessoas que estão inseridos ou já participaram da educação profissional é ou foi atendido por estabelecimentos vinculados ao chamado Sistema S Senai, Sesi Senat, entre outros.

De acordo com o secretário de Educação Profissional Substituto do Ministério da Educação (MEC), Getúlio Ferreira, os dados ainda revelam a predominância da educação privada nesse setor, mas ele acredita que, com os esforços que o governo federal vem implementando para ampliar a oferta na rede pública, a melhora nos indicadores será percebida nas próximas pesquisas.

Esse é um grande compromisso do governo federal, de investir na educação profissionalizante. Até 2010, mais 241 escolas federais oferecerão esses cursos, além das 140 que já temos atualmente.

Além disso, segundo o secretário, mais de 750 escolas públicas dos estados serão atendidas com novos programas, laboratórios de informática e equipamentos para a educação profissional.

Antes de ver essa expansão do sistema, o motorista Leopoldo de Santana conta que não encontrou o curso que desejava fazer em instituições públicas. Por isso, precisou pagar pelas aulas de direção defensiva.

Hoje em dia qualquer empresa, para contratar um motorista, exige que seja feito esse curso de qualificação. O problema é que não encontrei instituições públicas que oferecessem (a matéria). Precisei arrumar dinheiro e pagar mesmo afirmou.

Cursos

O estudo mostra, ainda, que os cursos de qualificação concentram 81,1% do total de 35,6 milhões de pessoas que frequentavam em 2007 ou já haviam frequentado aulas de educação profissional, enquanto os cursos técnicos de nível médio respondem por 18,2% do total, e os de graduação tecnológica, por 0,7%.

A área mais procurada, no caso dos cursos de qualificação, é a informática, que representa quase metade (45,5%) das 4,9 milhões de alunos desse tipo de ensino. Entre os estudantes de cursos técnicos de nível médio, o segmento da saúde concentrava a maior proporção (20,2%).

Abandono

Uma em cada dez pessoas que já frequentou algum curso de qualificação profissional no país abandonou as aulas antes de obter o certificado de conclusão. De acordo com o levantamento divulgado pelo IBGE, com base nos dados do Pnad de 2007. Essa realidade atingia naquele ano aproximadamente 2,4 milhões de brasileiros que alegaram, na maioria das vezes (25,5%), problemas financeiros como o principal motivo para desistir da qualificação.

Em seguida, vem a insatisfação com o curso (18,7%). Entre os que conseguiram levar os estudos até o fim (21,5 milhões de pessoas), mais da metade (56,4%) trabalhava, em 2007, ou havia trabalhado anteriormente na área de atuação. Entre eles, 65,7% disseram que decidiram fazer o curso porque ele oferecia o conteúdo necessário ao desempenho do trabalho.

Já entre os que concluíram a qualificação profissional, mas nunca trabalharam na área de formação (9,4 milhões de pessoas), 31,1% afirmaram que faltavam vagas de trabalho no setor escolhido e 30,4% encontraram melhor oportunidade em outra área.

A análise regional aponta que a Região Nordeste concentrava o maior percentual de pessoas que não conseguiram encontrar vagas (41,8%) e o Sul apresentava o índice mais elevado das que alegaram ter encontrado oportunidade melhor de trabalho (35,1%). (ABr)