Itagiba: Protógenes precisava de autorização para passagem

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Portal Terra

BRASÍLIA - O recebimento de passagens aéreas pelo delegado Protógenes Queiroz, pagas pela Câmara dos Deputados para a bancada do Psol, foi classificado nesta segunda-feira como ato político pelo deputado e presidente da CPI das Escutas Telefônicas, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), para quem Protógenes necessitaria de uma autorização da própria Polícia Federal para "fazer esse tipo de ação".

O delegado foi o coordenador da Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro da Daniel Dantas, posteriormente solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois de apresentar o relatório que incriminou o banqueiro, Protógenes acabou afastado das funções e é investigado em inquérito da própria Polícia Federal por suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Satiagraha para a imprensa. Ele ainda responde a uma sindicância interna para apurar participação em atividade político-partidária, o que é proibido pela instituição.

"Para viajar e fazer esse tipo de ação, deve-se ter autorização de superiores. Quando se viaja pelo departamento de Polícia Federal, viaja-se com passagens expedidas pelo departamento de Polícia Federal e com a expedição das devidas diárias", afirmou o deputado. Segundo ele, a emissão de passagens para o delegado por um partido político "não parece o mais correto e o mais adequado".

O delegado obteve autorização da corporação para participar de palestras sobre combate à corrupção, ainda que os eventos pudessem ser coordenados por partidos políticos. De acordo com a PF, quando chegavam convites para que o delegado participasse de atos, a Polícia Federal avaliava se o evento era de interesse da instituição e autorizava a presença do policial desde que ele pudesse compensar posteriormente as horas não trabalhadas.

Em seu blog, o delegado Protógenes Queiroz se defendeu das acusações de utilizar indevidamente passagens aéreas destinadas pela Câmara ao Psol, dizendo que é sempre convidado para proferir palestras pelo Brasil e desconhece como essas despesas são pagas.

"Sou convidado, com freqüência, para proferir palestras em vários pontos do País, tendo sempre como tema meu trabalho cotidiano, ligado ao combate à corrupção e à criminalidade. Nada cobro e nada recebo por essas palestras além das passagens aéreas e, se necessário, a hospedagem, que são fornecidas por aqueles que fazem o convite", disse o delegado. "Desconheço por quem ou de que forma essas despesas são pagas."

Para Protógenes,a notícia de que foi beneficiado com cotas de passagens da Câmara foi fabricada com "o propósito exclusivo de, em defesa do banqueiro condenado Daniel Dantas, criar situações que diminuam a força e energia deste cidadão que exerce o seu múnus de natureza pública".