Vasconcelos acusa caciques e desafia PMDB
Da redação, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - A direção do PMDB se reúne no início da semana para analisar a situação do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que neste final de semana, em entrevista à revista Veja, responsabilizou os caciques do partido pela corrupção e o clientelismo nas relações com o governo Lula.
Os incomodados devem se retirar disse a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo e filha do presidente do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP), um dos principais alvos do senador pernambucano. Sou contra a expulsão e acho que ele deve tomar a iniciativa de sair do partido se está insatisfeito e ironizou: Ele já saiu uma vez.
Na entrevista, Jarbas Vasconcelos diz que boa parte do PMDB governista quer mesmo é praticar corrupção. A maioria se incorpora a essas coisas pelas quais os governos vêm sendo denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas e corrupção em geral , afirmou à revista. Ele disse que a eleição do senador José Sarney para presidir o Congresso foi um retrocesso e afirmou que seu colega Renan Calheiros (PMDB-AL) não tem condições morais para liderar a bancada.
Alinhado com a futura candidatura do governador de São Paulo, José Serra, Vasconcelos fez também duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem acusa de comandar um governo medíocre. O senador pernambucano atacou a vitrine do governo na área social, o Bolsa Família: É o maior programa oficial de compra de votos do mundo .
O senador assume a condição de dissidente, mas afirma que não pretende deixar o PMDB. O partido, em sua avaliação, marchará dividido entre o candidato do presidente Lula provavelmente a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil ou o governador de São Paulo na eleição presidencial de 2010. O senador pernambucano afirmou que o PMDB se transformou numa confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse: Mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos .
As críticas do senador à ala governista do partido não chegam a ser novidade, mas compõem a análise mais agressiva já feita por um dirigente do partido e vinda a duas semanas depois de a legenda conquistar o comando total do Congresso com a eleição de Sarney e do deputado Michel Temer (PMDB-SP) para presidir a Câmara dos Deputados. É também uma ducha d'água fria na ala que tenta unir os peemedebistas para emplacar o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), como uma alternativa do partido. Pelas declarações do senador, o PMDB pode se dividir em três grupos: um favorável a Aécio; um segundo no qual ele se inclui a Serra; e um terceiro em torno da ministra Dilma Rousseff, que o presidente Lula e o PT estão vitaminando para que atinja em breve um patamar de 20% de preferência nas pesquisas.
As declarações de Vasconcelos devem dominar o debate entre os peemedebistas a partir de hoje no Senado e no PMDB, que se reúne para discutir também a sucessão do deputado Michel Temer. O presidente da Câmara já avisou que não pretende acumular os dois cargos, mas ainda não definiu como será escolhido seu sucessor. O cargo pode ficar com a vice-presidente do partido, deputada Iris Rezende (GO) ou ser disputado numa nova eleição. A ala governista do PMDB está no páreo com ampla vantagem sobre os dissidentes.
