Fiscalização desmonta esquema de trabalho escravo em fazenda no PR

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Agência Brasil

CURITIBA - Doze trabalhadores de uma fazenda de corte de pinus foram encontrados em condições degradantes no município de Adrianópolis, a cerca de 100 quilômetros de Curitiba.

Segundo o Grupo Móvel de Fiscalização de Trabalho Escravo, formado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério Público do Trabalho, 12 das 66 pessoas contratadas para a frente de trabalho residiam com a família mulheres e crianças em barracos de compensado de madeira, com banheiros precários, sem tratamento de água e esgoto.

- Desde segunda-feira visitamos oito fazendas e apenas nessa, da empresa J.A.R Sobral, prestadora de serviços da Compet Agroflorestal S/A, do grupo Cocelpa Papéis e Celulose, foram flagrados trabalhadores em situação análoga à de escravos - relatou o auditor fiscal Guilherme Moreira.

Além da precariedade das instalações, foi constatado que os salários eram pagos de forma irregular e, como atrasavam, os trabalhadores só podiam fazer compras a crédito em um supermercado do município de Tunas, o que caracteriza indução, de acordo com Moreira.

Várias irregularidades fiscais também foram encontradas. Ao todo, 24 autos de infração foram lavrados contra a Compet Agroflorestal S/A. Segundo os fiscais, a empresa não poderia ter terceirizado a atividade fim que consta no seu estatuto social trabalho de plantio, corte e retirada de pinus.

Como consequência da fiscalização, os trabalhadores receberam ontem seus pagamentos, totalizando R$ 57 mil para o grupo. No total estavam incluídos R$ 3 mil para cada trabalhador, referentes à indenização por danos morais. Além disso, eles vão receber três parcelas de um salário mínimo, do seguro desemprego específico para este tipo de situação.