Nayara diz que Lindemberg insistia para reatar namoro com Eloá

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JB Online

RIO - No depoimento de quase duas horas, ao juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André - no Fórum de Santo André, no ABC, paulista - a estudante Nayara Silva de 15 anos, confirmou que Lindemberg Alves, 22, insistia para que Eloá Pimentel reatasse o namoro e revelou que que voltou ao apartamento onde foi mantida refém junto com a amiga após ter sido libertada, porque viu Eloá sob ameaça de uma arma. Nayara foi a primeira das 23 testemunhas que prestarão depoimentos ainda hoje, no processo que apura o assassinato de Eloá Pimentel, 15, em outubro do ano passado.

A jovem contou ainda, que dormiu na casa da avó e, no dia seguinte, policiais militares estiveram no local e pediram para que ela entrasse em contato por telefone com Lindemberg e que o rapaz mandou que ela subisse até o apartamento da família de Eloá. O fato de ver a amiga sob a mira de um revólver foi decisivo para que Nayara entrasse novamento no apartamento, segundo revelou ao juiz.

O depoimento de Nayara não foi diante de Lindemberg. Ela teve o pedido atendido para que ele fosse retirado da sala.

Lindemberg também será ouvido pela Justiça, após as testemunhas. O promotor do caso, Antonio Nobre Folgado, afirmou que "é praticamente impossível" que ele não vá a júri popular.Caso as testunhas não sejam todas ouvidas hoje, os depoimentos poderão se estender amanhã. Depois que todas forem ouvidas e o réu interrogado,haverá os debates entre promotor e defesa. Os outros dois adolescentes que foram mantidos reféns no primeiro dia de sequestro e um policial militar e uma testemunha de acusação o irmão de Eloá, que estava com Lindemberg antes do crime, serão ouvidos a qualquer momento.

Lindemberg responde por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) com relação a Nayara, e tentativa de homicídio qualificado (para assegurar a execução de crimes) em relação ao sargento da Polícia Militar contra quem Lindemberg atirou.

Ele foi denunciado pelo Ministério Público cinco vezes por cárcere privado qualificado em relação a Nayara (duas vezes), a Eloá e aos outros dois adolescentes mantidos reféns no primeiro dos cinco dias do seqüestro. Ele também foi denunciado quatro vezes por disparo de arma de fogo.