Negros são as principais vítimas de homicídios no Brasil

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Luciana Abade, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Os dados de homicídio levantados pelo estudo Brasil 2007 do Ministério da Saúde variam de acordo com a faixa etária, gênero e região. Mas os negros são as maiores vítimas de homicídio independentemente do sexo, região e tamanho dos municípios.

Apenas no Paraná o risco de morrer assassinado é semelhante para brancos e negros. Já na Paraíba, a chance de um negro morrer por homicídio é nove vezes maior que a de um branco.

Para a coordenadora de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do Ministério da Saúde, Marta Silva, isso ocorre porque os negros sofreram exclusão social durante um longo período da história e, por isso, têm menos acesso ao serviço de saúde, menor escolaridade e os piores empregos.

Onde o Estado está ausente, as minorias sociais ficam a mercê do crime afirma Antônio Flávio Testa, sociólogo da Universidade de Brasília (UnB). O estudo só mostra o que já é de domínio público e registra a contradição estrutural das políticas públicas do Brasil que apostou no assistencialismo.

As doenças cerebrovasculares foram as principais responsáveis pelos óbitos em mulheres pardas e negras. De acordo com o estudo, esses óbitos podem estar associados a tendências genéticas, pelo fato de elas sofrerem mais com a hipertensão, mas também por elas estarem inseridas em contextos socioeconômicos de pobreza.

Além de analisar por raça, o estudou levantou, também, o perfil da mortalidade entre mulheres em idade reprodutiva, com idade de 10 a 49 anos. Elas representavam 65% da população feminina, em 2005. O câncer foi o principal responsável pelas mortes delas em 2005, respondendo por 23% dos óbitos.

O estudo mostra que as doenças ligadas à gravidez e ao parto, conhecidas como doenças maternas, estão estáveis. O motivo, segundo o ministério, é a criação de comitês de investigação, melhoria do serviço obstétrico e acesso a métodos (L.A.)