PMDB vira aliado a ser conquistado em 2010
Márcio Falcão, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - As cúpulas dos partidos governistas e da oposição começaram a calcular os reflexos das eleições municipais na disputa pelo Palácio do Planalto em 2010. E o discurso é quase o mesmo: sem o PMDB dificilmente alguma legenda conseguirá eleger o próximo presidente da República.
Os peemedebistas saíram como o partido que mais elegeu prefeitos e vereadores. Foram 1.203 prefeituras sendo seis capitais e 12 mil vereadores. Um total de 22,9 milhões de votos.
Com tamanho prestígio entre o eleitorado, o PMDB passa a ser ainda mais desejado por governo e oposição para o próximo pleito. Líderes do PT e PSDB começaram a fazer suas apostas para assegurar uma futura aliança com os peemedebistas. Mas com o novo fôlego que recebeu nas urnas, o PMDB começa a refazer seus planos e promete analisar todas as alternativas, especialmente, a de lançar candidato próprio.
Se uma das lógicas que o partido utilizar para definir seu caminho for o voto, o PT leva alguma vantagem por ter apresentado crescimento. Emplacou 559 prefeituras, crescimento de mais de 36% no número de prefeituras sob seu comando em relação a disputa de 2004, sendo que foi o partido com o maior número prefeitos em cidades com mais de 200 mil habitantes.
Rejeição
O PSDB que também flerta com os peemedebistas enfrentou rejeição nas urnas. Perdeu 82 municípios em comparação a 2004, mas ainda se mantém entre os principais partidos, elegendo prefeitos para 788 cidades. O declínio da oposição não foi exclusividade dos tucanos. O Democratas perdeu 294 administrações, de 2004 para 2008, conquistando 500 cidades.
O PSB é outro partido que está na disputada de 2010, com o nome do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), e que teve bom desempenho. Foi o terceiro partido com maior ganho absoluto somando 315 prefeituras, registrando crescimento de 80% em relação a 2004.
Vôo solo
Mesmo com a movimentação de PT e PSDB, que trabalham suas nos bastidores, o PMDB traça seus próprios planos de vôo. Um que vem ganhando força prevê o ingresso do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, nos quadros do partido. Querem aproveitar o fortalecimento do governador de São Paulo, José Serra, que sustentou a vitória do prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), para seduzi-lo.
O namoro com Aécio é antigo afirma o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Agora, não estamos presos só a esta opção.
Com Aécio, os peemedebistas apostam que a chapa teria, inclusive, o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há no PMDB lideranças com bom trânsito com o governador mineiro, como o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Segundo o líder, o partido trabalhará outras lideranças e torná-las mais conhecidas, como o governador do Rio, Sérgio Cabral.
Entre os petistas a aproximação do PMDB com tucanos ainda não preocupa. Para os líderes, a aliança construída no segundo mandato do presidente Lula é forte e o governo estaria interessado em atender as demandas peemedebistas até com uma pequena reforma ministerial. O Planalto sabe que está em jogo não apenas a sucessão presidencial, mas, principalmente, a governabilidade.
Candidato próprio
Fortalecido pelas urnas nas eleições municipais, o PMDB já fala em lançar um candidato à Presidência da República, em 2010.
Somos o maior partido do País, temos a maior bancada na Câmara e no Senado, o maior número de prefeituras, portanto é natural lançarmos um candidato avaliou o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do partido na Câmara.
Porém, o deputado diz que é cedo para falar no assunto, e garantiu o apoio ao candidato da base aliada em 2010.
Apesar do resultados das urnas, seja qual for o candidato do presidente Lula e da base aliada, nós estaremos no palanque garantiu.
O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP) faz concorda com Alves, mas é mais comedido.
Eu vou reunir a executiva do partido na semana que vem para fazermos algumas avaliações do resultado eleitoral que foi magnífico para o PMDB, mas isso ainda não significa nada disse. No segundo semestre do ano que vem é que vamos discutir a posição do partido e as alianças que venham a ser feitas. Já o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardoso (SP) sintetizou:
Não vejo dificuldade em conversar com o PMDB.
