PF prende banqueiro Daniel Dantas por desvio de verbas
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SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO - Figura polêmica do processo de privatização das empresas de telefonia no país, o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, foi preso pela Polícia Federal nesta terça-feira, acusado de comandar uma quadrilha que usava empresas de fachada para desviar verbas públicas.
Na mesma operação, batizada de Satiagraha, também foram detidas outras duas figuras controversas: o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Os três foram presos quando estavam em casa, no início da manhã.
Estão sendo cumpridos 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão por 300 policiais federais em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.
Entre os suspeitos que tiveram a prisão decretada estão operadores do mercado financeiro e a irmã do banqueiro do Opportunity, Verônica Dantas, segundo informou um assessor da PF. Todos os presos devem ser transferidos para a sede da PF em São Paulo, base da operação.
Ex-herdeiro político do deputado Paulo Maluf (PP-SP), Pitta foi preso em sua casa e levado para a Superintendência da PF na capital paulista. Pitta, que teve os direitos políticos suspensos em 2005, foi prefeito entre 1997 e 2000 e teve em uma gestão marcada por acusações de corrupção.
Em entrevista à GloboNews, o advogado Nelio Machado, que representa Dantas, criticou a atuação da PF. 'Essa prisão se afigura de todo desnecessária e revela uma precipitação... esse tipo de procedimento com grande estardalhaço vem sendo uma marca usada por autoridades da Polícia Federal', afirmou.
MENSALÃO
A operação da PF é resultado de investigações iniciadas há quatro anos, um desdobramento do escândalo do mensalão. 'Na apuração foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos', disse a PF em nota.
O chamado esquema do mensalão envolvia o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio no Congresso. As denúncias sobre o esquema derrubaram figuras importantes do governo petista, como o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Em 2006, Dantas disse em depoimento no Senado que foi procurado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que teria lhe pedido 50 milhões de dólares ao partido.
Com o andamento das investigações, ainda de acordo com a Polícia Federal, foi descoberta uma outra quadrilha, comandada por Nahas e que seria responsável por 'lavar' o dinheiro obtido ilegalmente.
- Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras - afirmou a PF na nota.
O investidor libanês Naji Nahas provocou um terremoto no mercado de capitais do Brasil em 1989. Ele foi acusado de realizar operações ilegais que quebraram várias corretoras e esvaziaram a Bolsa do Rio, principal mercado de ações do país na época.
Após anos de batalha judicial, em que chegou a ser condenado a 24 anos e oito meses de prisão, ele foi inocentado na Justiça e briga contra a BM&FBovespa, herdeira do mercado de ações, por uma indenização bilionária.
Todos os detidos na operação deverão ser indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão de divisas e sonegação fiscal.
BATIDA DA PF
Cerca de 20 agentes da PF em cinco carros chegaram à sede do Banco Opportunity, no Rio. Os agentes fizeram uma varredura em computadores e documentos encontrados na instituição.
Documentos também foram apreendidos na sede da Brasil Telecom, no Rio. O Opportunity já foi o principal acionista da companhia, mas foi retirado da gestão da empresa em 2005.
