Lula diz que não admite interferência de poluidores no Brasil
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BELÉM - Após ter alertado ao mundo que a Amazônia brasileira tem dono, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que não admite a interferência de países poluidores na questão ambiental brasileira.
Durante encerramento de fórum com governadores da Amazônia, em Belém, o presidente disse que grande parcela da sociedade brasileira tem consciência ambiental, e citou a queda no desmatamento da Amazônia nos últimos anos e a política de biocombustíveis como exemplos da preservação ambiental no país.
- Nós não admitimos que quem não cuidou de suas florestas, quem não preservou e desmatou tudo, e é responsável pela maioria dos gases do efeito estufa emitidos no ar, dê palpite no Brasil. Pelo amor de Deus, deixem que nós cuidamos das nossas coisas aqui - disse o presidente, em entrevista coletiva, depois da reunião com governadores de Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
Na segunda-feira, durante discurso no Rio de Janeiro, o presidente afirmou que achava "engraçado" que os países que mais poluem o mundo queriam falar sobre a preservação da Amazônia, ressaltando "que a Amazônia tem dono e é o povo brasileiro".
O presidente, entretanto, fez um alerta sobre o desmatamento promovido por agropecuaristas. O Mato Grosso, Estado de maior produção de soja do país, tinha 19 cidades entre as 36 que mais desmataram a Amazônia nos cinco últimos meses de 2007, de acordo com o último relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Na próxima semana, o Inpe deve divulgar novos dados do desflorestamento, e, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, houve mais uma vez aumento na derrubada de árvores do Estado.
- Se a gente não tiver cuidado, daqui a pouco tem um movimento internacional para não comprar produtos do Brasil, e isso será muito prejudicial - disse o presidente.
- Um país que tem a quantidade de terras que tem o Brasil, um país que tem a quantidade de pasto degradado que pode ser recuperado que tem o Brasil, não tem porque pensar em derrubar um pé de caatinga nesse país para plantar alguma coisa - concluiu.
