Protesto paralisa terminais de ônibus no Ceará

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Portal Terra

FORTALEZA - Motoristas e cobradores interromperam as viagens no maior terminal de ônibus de Fortaleza (CE), o Papicu, por onde passam mais de 300 mil pessoas todos os dias. O protesto começou às 9h de terá-feira e ao longo do dia se espalhou pelos outros seis terminais de ônibus da capital cearense.

- Não foi nada orquestrado, era pra ser uma reunião no terminal do Papicu para a organização de uma assembléia, depois disso não organizamos as outras manifestações - afirmou Nonato Martins, um dos líderes da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).

Nesta manhã, policiais e motoristas entraram em confronto na praça da estação. O clima tenso se estabeleceu quando os policiais tentaram impedir que os motoristas saqueassem os pneus dos ônibus.

O impasse começou na semana passada, quando houve um "racha" entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Estado do Ceará (Sintro) e os profissionais. Inicialmente, a categoria queria um reajuste de 28%, referente às perdas salariais dos últimos anos, mas o sindicato já havia acertado um reajuste de 5% com os empresários.

A falta de entendimento causou quebra-quebra e praticamente parou o sistema de transporte público de Fortaleza. Todas as linhas que atendiam os terminais de Fortaleza ficaram paradas. Multidões não tiveram como voltar para casa ontem à noite e sem ter como ir ao trabalho hoje cedo.

- É um desrespeito com as pessoas. Eu e várias outras pessoas ficamos quase 4 horas esperando e até agora nada. Um absurdo, porque os poucos ônibus que têm já estão superlotados. Dizem que lá dentro estão pisoteando as pessoas - afirmoua estudante Helaine Matos.

Nas ruas próximas aos terminais, filas de ônibus se acumularam dificultando o trânsito. A maioria dos veículos teve os pneus furados pelos próprios motoristas, como protesto pelo embate entre profissionais e sindicato.

Todos os dias, cerca de 900 mil pessoas utilizam as quase 200 linhas de ônibus da capital cearense como único meio de transporte para trabalhar. Não há metrôs e o sistema complementar de transporte não consegue atender à demanda.