Número de vítimas do naufrágio do Comandante Sales chega a 45
Amanda Mota, Agência Brasil
BRASÍLIA - Subiu para 45 o número de vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008, ocorrido no último domingo, no Rio Solimões, próximo à cidade de Manacapuru, no Amazonas.
Nesta quarta-feira (7), a operação conjunta que está sendo realizada pelo Corpo de Bombeiros, Marinha, Exército e Aeronáutica, conseguiu localizar mais 11 mortos, sendo oito homens.
Também apóiam as atividades de busca e de atendimento aos parentes e amigos das vítimas a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, o Instituto Médico Legal de Manaus, a Defesa Civil e a Secretaria de Assistência Social de Manacapuru.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros do estado, coronel Antônio Dias, as buscas não têm previsão de término. Ele classificou o naufrágio do Comandante Salles como o maior acidente do tipo dos últimos dez anos, no Amazonas.
Até hoje, o maior registro de vítimas fatais foi quando um ônibus se preparava para entrar numa balsa e caiu na água, matando 37 pessoas. Dias disse que, em função da correnteza e do tempo que se passou desde o acidente, o foco das bucas será ampliado.
- Agora, vamos intensificar as buscas em áreas mais próximas a Manaus, considerando que já há um tempo significativo desde o acidente e que a correnteza do rio é forte e pode ter afastado esses corpos em até 70 quilômetros do local do acidente - informou o comandante.
O número de desaparecidos não é confirmado pelo Corpo de Bombeiros e nem pela Capitania dos Portos. Até o momento, há apenas os registros de corpos resgatados e os que apontam que cerca de 50 pessoas se salvaram. O Comandante Salles 2008 não tinha licença para navegar e sequer havia uma lista de passageiros.
- Não há segurança para falar no total de passageiros. A embarcação não estava regularizada e, por isso, não sabemos qual era a capacidade máxima de pessoas que ela poderia transportar. Falar disso, nesse momento, não é correto - disse o comandante da Capitania dos Portos da Amazônia Ocidental, Dennis Teixeira.
Sobre as causas do acidente, também não há confirmação pela Marinha, embora haja suspeitas de superlotação e também de que chuvas, ventos ou fortes ondas no rio possam ter feito o barco virar.
- Testemunhas dizem que houve um rebojo, que é um redemoinho forte no rio, e que a embarcação teria entrado nesse redemoinho e, em seguida, tombado - relatou Teixeira.
A Amazônia tem 25 mil quilômetros de extensão de rios navegáveis. De acordo com a Marinha, estima-se que dois milhões de pessoas utilizem algum tipo de transporte aquático, por mês, na região.
- Na Amazônia, as verdadeiras estradas que interligam povos e territórios são os rios da região - concluiu o comandante da Capitania dos Portos.
