Decisão sobre prisão de pai e madrasta de Isabella sai em cinco dias
Portal Terra
SÃO PAULO - O promotor Francisco Cembranelli, responsável pelo caso Isabella, informou que pediu a prisão preventiva do pai e da madrasta da menina à Justiça. Ele disse que isso aceleraria o desfecho do caso. Segundo Cembranelli, com Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá soltos, não haverá solução "antes de cinco ou seis anos". O promotor denunciou o casal por homicídio doloso triplamente qualificado. O juiz Maurício Fossen tem cinco dias para decidir se acata ou não a denúncia e o pedido de prisão preventiva.
- Ao formular meu pedido, eu entendo que a única medida aceitável é a decretação da custódia preventiva dos denunciados - disse Cembranelli. Na denúncia, ele atribuiu a esganadura da menina à madrasta, com base em provas do inquérito policial, e alegou que Alexandre jogou a filha pela janela. - Ambos são responsáveis pela morte de Isabella - disse.
O promotor afirmou que há provas contundentes de que houve um desentendimento entre o casal, possivelmente motivado por ciúmes, antes de Isabella começar a ser agredida. - Existem muitos depoimentos obtidos na investigação que indicam que muitas discussões acirradas aconteciam entre o casal principalmente nos finais de semana, quando Isabella estava presente. Pelo menos dez testemunhas se referem a isso - disse.
Sobre a suposta participação do pai na morte de Isabella, Cembranelli disse que Alexandre Nardoni teria arremessado a menina viva da janela do 6º andar do edifício London, no dia 29 de março. - Ele (Nardoni) não arremessou a menina achando que ela estivesse morta. Havia circunstâncias que indicavam que a menina estivesse viva - afirmou. - A intenção foi dar a solução a um problema que já existia - disse, ao afirmar que o casal teria decidido jogá-la pela janela pois estava ferida e em processo de óbito.
Para Cembranelli, não há indícios que incriminem outra pessoa além do casal. - Não existem indícios incriminando qualquer outra pessoa. Se houve posteriormente, será analisado e aqueles que agiram de má fé serão responsabilizados - disse.
Perguntado sobre o perfil psicológico do casal, Cembranelli disse que, segundo testemunhas, a convivência entre Alexandre e Anna Carolina era difícil e que ambos tinham um perfil agressivo. Segundo ele, o fato foi comprovados por meio do relato de quando Anna Carolina Jatobá jogou o seu bebê sobre a cama para poder agredir o marido.
O promotor elogiou a investigação da polícia e afirmou que houve alteração na cena do crime.
- Antes mesmo do arremesso do corpo houve alteração significativa do local - disse Cembranelli. De acordo com ele, se não fosse pelo trabalho pericial do Instituto de Criminalística as provas provavelmente teriam sido perdidas.
- Não se pode desprezar o fato que os representados alteraram significativamente o local do crime, desfazendo-se de evidências, simulando situações, ocultando dados, tudo com o propósito claro de prejudicar a colheita de provas, condutas que, por si só, evidenciam sério risco ao bom andamento da instrução criminal, especialmente no que concerne à reprodução da prova oral, que agora se dará sob o crivo do contraditório, o que inspira cautela por parte do Poder Judiciário - diz a denúncia.
Cembranelli afirmou que ainda é prematuro falar sobre a pena que o casal pode cumprir, caso seja condenado. Entretanto, ele disse que a legislação brasileira prevê 12 anos de reclusão para homicídio, com possibilidades de agravantes por crime contra menor de 14 anos e contra descendentes.
O advogado Marco Polo Levorin, responsável pela defesa do casal, informou, por meio da portaria do prédio onde fica seu escritório, que só vai se pronunciar depois que tiver acesso à denúncia do Ministério Público.
