Polícia de GO indicia mãe de menina torturada e mais cinco pessoas
Portal Terra
GOINIA - A delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia (GO) indiciou hoje a mãe de L.R.S, 12 anos, que entregou a filha para a empresária Silvia Calabresi Lima de forma irregular, por omissão e entrega ilegal da criança. Outras cinco pessoas foram indiciadas: Sílvia, 42 anos, o marido Marco Antonio Calabresi Lima, 42 anos, o filho deles, Tiago Calabresi Lima, 24 anos, a empregada doméstica Vanice Maria Novaes, 23 anos, e a mãe da empresária, Maria de Lourdes Bianchi Arantes, 82 anos.
Sílvia foi presa em flagrante no dia 17 de março, depois que a polícia recebeu uma denúncia anônima e encontrou no apartamento dela a menina L.R.S., amarrada e amordaçada em uma escada, com os pés suspensos no chão e com diversas marcas de mutilação. A empregada doméstica Vanice Maria Novaes também foi presa. Nos dias seguintes à libertação da menina, foram descobertas outras supostas cinco vítimas de Sílvia.
A delegada pediu a prisão preventiva de um dos filhos e da mãe adotiva da empresária. O pedido consta no inquérito policial entregue hoje à tarde à Justiça. De acordo com a delegada, o filho de Sílvia, Tiago Calabresi Lima, e a mãe, Maria de Lourdes Bianchi Arantes, estariam se negando a prestar depoimento, apesar de oficialmente notificados, como estratégia da defesa de Sílvia para que o inquérito não fosse concluído em tempo. Adriana tinha até hoje para entregar o relatório para que a prisão em flagrante da empresária não fosse relaxada.
Os advogados da família de Sílvia tentaram hoje à tarde negociar com a delegada a apresentação dos dois, depois de três adiamentos. Mas Adriana se mostrou irredutível por causa do prazo. O relatório, com mais de 100 páginas, descreve os mecanismos de tortura praticados contra a menina, e outros detalhes. Foram anexados os resultados de exames que confirmaram a ação de tortura contra L. Também foram reunidos os depoimentos das cinco meninas, que nos últimos 17 anos trabalharam na casa da empresária, e teriam sido vítimas de maus tratos.
Tiago, Maria de Lourdes e o marido de Sílvia, o engenheiro civil Marco Antonio Calabresi Lima, vão responder por omissão em caso de tortura. A delegada diz que a omissão da família foi crucial para a continuidade das agressões contra L. A empregada doméstica Vanice Maria Novaes é apontada como "ajudante" de Sílvia, e vai responder pelos mesmos crimes da patroa.
Hoje pela manhã um novo advogado da família compareceu à DPCA para tentar remarcar o depoimento de Thiago, alegando não ter tido tempo de se informar inteiramente sobre o caso. O depoimento, que já havia sido remarcado três vezes, estava previsto para as 9h. A delegada não aceitou. Ela disse que essa seqüência de adiamentos na apresentação parece ser uma "estratégia equivocada para que a Polícia Civil perca o prazo de entrega do inquérito".
Adriana disse que a DPCA deu várias oportunidades para que eles se apresentassem e que a mãe e o filho de Sílvia não deram sequer uma justificativa para não aparecerem. Um dos motivos para a sugestão da prisão preventiva é o fato de Thiago e Maria de Lourdes não serem encontrados no apartamento onde até então moravam. Além disso, há informações suficientes de que ambos saberiam dos crimes pelos quais Sílvia é denunciada, segundo a polícia.
