CPMF expõe divisão do PSDB, que perde palanque da própria festa

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REUTERS

BRASÍLIA - Reunidos em encontro de dois dias para apresentar o seu novo programa ao país e eleger a nova direção, os tucanos acabaram perdendo o palanque, obrigados a responder a denúncia sobre o mensalão mineiro, e ainda expuseram uma fratura com a falta de entendimento sobre a CPMF.

Um dia depois de se verem acuados pela denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de um esquema de desvio de dinheiro público na campanha à reeleição do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, os tucanos acabaram se envolvendo numa polêmica sobre a CPMF, gerada por eles mesmos

O governador da Paraíba, Cassio Cunha Lima, externou críticas aos senadores que fazem campanha contra a prorrogação da CPMF, deixando clara a falta de unidade no partido.

- Você tem cinco governadores defendendo a manutenção da CPMF e a bancada do PSDB no Senado faz ouvido de mercador para isso. Estamos diante de um impasse grave para nos organizar - disse Cunha Lima a jornalistas durante o último dia da convenção do partido nesta sexta-feira.

Ele defendeu uma autocrítica, já que a CPMF foi criada no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

- O partido está errado, o prumo está errado. Se não conseguirmos conversar internamente, não conseguimos externamente - avaliou.

Também defensor da continuidade do imposto, Aécio Neves, governador de Minas Gerais, deixa em aberto as negociações com o governo Lula, que foram interrompidas pelos senadores tucanos.

- Não temos que fazer a mesma oposição que o PT fez contra nós... o que é bom para o país, o PSDB deve ter altivez e a responsabilidade de discutir e, se chegar à conclusão que é bom, votar a favor - disse Aécio.

Afirmando tratar-se de uma decisão democrática, o senador Sérgio Guerra (PE), eleito presidente da legenda nesta sexta-feira, garante que o governo não terá nenhum voto do PSDB na votação da CPMF no Senado.

- Ele (Cunha Lima) reconheceu que a posição dos senadores é diferente da dos governadores, tudo bem. Não há incoerência nisso, é um partido democrático que tem posições. O partido vota só e unido - disse.

Guerra explicou que ele próprio, favorável a CPMF, foi voto vencido, assim como o senador Tasso Jereissati (CE), que deixa a presidência da legenda. Os 13 senadores tucanos são considerados o fiel da balança para a aprovação da CPMF.

Fernando Henrique avalia que o momento atual é diverso de quando a CPMF foi criada e depois prorrogada.

- Eu pedi a extensão da CPMF, mas neste momento há excesso de arrecadação, é bem diferente da situação em que ela foi criada. O governo precisa conversar, dizer quanto dinheiro precisa para a saúde - disse o ex-presidente ao afirmar que os governadores têm seus interesses mas a votação é dos políticos.

Para ele, o governo precisa melhorar a qualidade do gasto.