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PF investiga se queijo irregular atingiu todo o País

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Portal Terra

UBERABA - O depoimento de um dos funcionários do laticínio de Uberaba, em Minas Gerais, suspeito de adulterar a embalagem de queijo vencido para vendê-lo como novo revelou que o escândalo é maior do que se imaginava. Os primeiros dados mostram que os fraudadores despejavam 20 t de queijo estragado na capital paulista e em mais quatro cidades do interior do estado (Ribeirão Preto, Bauru, Guaratinguetá e Presidente Prudente). Mas a Polícia Federal desconfia que o problema tenha proporções muito maiores, talvez nacionais.

Para reforçar o esquema de combate à fraude, a direção da PF convocou o encarregado da operação, delegado Ricardo Ruiz, da Delegacia de Uberaba, para ir a Brasília dar explicações sobre as fraudes em leite e derivados. Ruiz vai se reunir com o diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, e com chefes de áreas técnicas e operacionais, inclusive a inteligência. A partir das informações, a PF deve definir estratégia mais ousada de combate a quadrilhas que atuam no setor, possivelmente em várias partes do País.

O funcionário, com identidade mantida em sigilo, foi preso com duas pessoas numa diligência da PF no galpão de uma empresa de laticínios em Uberaba. Segundo os policiais, que encontraram 16 t de queijo com validade vencida, o produto era adquirido de graça, como rejeito, ou a preço ínfimo em seis laticínios de Goiás. Em Uberaba, era reembalado com prazo de validade atualizado e com marcas distintas para confundir a fiscalização. De lá, ia para supermercados e pontos varejistas da capital paulista e do interior.

No caso do leite, a polícia divulgou que o químico Pedro Renato Borges, acusado de adulterar o produto com soda cáustica e água oxigenada, prestou serviço para outros laticínios de São Paulo e Minas Gerais, além das cooperativas mineiras Coopervale e Casmil, principal alvo das investigações. Cobrava de R$ 800 a R$ 1.200 por visitas mensais.

As empresas confirmam a consultoria, mas negam a compra da fórmula. Borges foi preso na Operação Ouro Branco com 26 pessoas, mas foi liberado no sábado.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite, Jorge Rubez, não acredita em queda do consumo em função das fraudes: "Nossas vacas não produzem soda cáustica nem água oxigenada. Não podemos pagar pelos erros de alguns empresários". Rubez lembrou que as cooperativas fraudadoras respondem por 0,5% do total produzido no País: - Se o leite brasileiro tivesse problema de qualidade, não exportaríamos para 80 países.

Após 10 meses de seguidas altas, os preços do leite pagos ao produtor recuaram mais de 6% em setembro, a primeira queda no ano. Depois de elevação superior a 60% no ano, a cotação média nos sete estados pesquisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) passou de R$ 0,80 o litro, em agosto, para R$ 0,75, em setembro (-6,3%). Já o levantamento da Scot Consultoria, em 17 estados, aponta recuo de 6,58%, a R$ 0,718 o litro.