Zuanazzi: Anac obedece ao que o ministério manda
Jeferson Ribeiro, Portal Terra
BRASÍLIA - O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, falou pela primeira vez após a renúncia de Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ícone da resistência às mudanças promovidas pelo novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na cúpula do setor. Ele afirmou que a relação com o ministério é meramente "institucional" e que o órgão fará "o que manda a lei". "Nós somos um órgão de Estado e atuamos dentro do que manda a lei", disse.
Denise Abreu pediu demissão na sexta-feira. Ela é suspeita de entregar um documento sem validade para convencer a Justiça a liberar o Aeroporto de Congonhas (SP) e de fazer lobby para transferir o setor de cargas de Guarulhos, e também do aeroporto de Viracopos, para Ribeirão Preto, o que beneficiaria um empresário.
Zuanazzi negou que, após a queda de Denise Abreu, tenha se reunido com os outros diretores da Anac para combinar algum posicionamento de resistência.
- Não nos reunimos. Ela tomou uma decisão de foro íntimo que precisa ser respeitada. Não tivemos nenhuma reunião - comentou.
O presidente da Anac disse que não fará indicações para substituir a colega, mas sempre que pôde defendeu o perfil heterogêneo da Agência. Dizia que era bom para o órgão ter uma procuradora nos seus quadros.
- Era uma pessoa que cumpria um grande papel na agência. Mas não cabe a mim fazer indicações - comentou.
Segundo ele, é prematuro dizer se a saída da diretora trará prejuízo ao trabalho do órgão. "A saída dela é muito recente", limitou-se a argumentar.
Questionado se outros diretores podem tomar o mesmo caminho da colega, ele disse que não sabe, porque "essa é uma decisão de foro íntimo".
No Rio, Jobim disse que se encontrará com o presidente Lula amanhã para tratar da sucessão na agência, mas esse encontro ainda não consta na agenda do ministro. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, também não havia ainda previsão na agenda do presidente.
Até agora, nenhum nome foi indicado para substituir Denise e é possível que o ministro apresente primeiro o novo modelo institucional ao presidente e depois escolha um substituto. Auxiliares próximos a Lula também avaliam que ainda deve demorar mais um pouco essa definição.
Desde que assumiu o cargo, Jobim vem prometendo se reunir com a diretoria da Anac para informar as novas diretrizes a serem seguidas. Porém, o encontro formal nunca aconteceu e nos bastidores ele não esconde o desejo de ver mais baixas na Anac.
Publicamente, Jobim já disse que apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um novo modelo institucional para o setor de aviação civil no País, inclusive com mudanças no órgão regulador. Zuanazzi informou que ainda não foi chamado para conversar com Jobim nessa semana.
