MG: Presos estavam amarrados durante massacre
Portal Terra
BELO HORIZONTE - O presidente da CPI Carcerária da Câmara dos Deputados, Neucimar Fraga (PR-ES), disse neste sábado que o delegado Wanderley Miranda, chefe da cadeia pública de Ponte Nova (MG), omitiu, no depoimento que prestaram à comissão nesta sexta-feira, a informação de que dois detentos estavam amarrados e acorrentados, na hora do massacre, a uma grade do corredor que divide as celas da cadeia pública da cidade, onde morreram 25 presos na última quinta-feira.
O Instituto Médico Legal de Belo Horizonte divulgou que levantamentos realizados nos corpos dos 25 detentos mortos não encontraram projéteis recentes. Apenas em três corpos foram identificados projéteis, mas exames apontam que são de episódios antigos. Os pontos onde foram encontrados os projéteis coincidem com marcas relatadas por familiares durante o processo de reconhecimento.
Omissão
- Dois agentes (policiais) que estavam de plantão na madrugada do ataque, e que ainda não haviam sido ouvidos por nós, disseram que os presos José Santana e Geraldo Brito, originários da cela 12, estavam amarrados e acorrentados na grade entre as celas 8 e 9. Hoje o delegado Luiz Carlos Chartouni, que é chefe do Wanderley, disse que também foi pego de surpresa e somente aí eles confirmaram esta informação passada pelos agentes," revelou.
Ainda de acordo com o parlamentar, os agentes disseram que os dois detentos foram libertados da grade "sapecados" pelo calor do incêndio na cela 8. A comissão vai agora solicitar o depoimento dos dois presos para que eles esclareçam o que realmente aconteceu na cadeia:
- Logo após o ocorrido eles foram transferidos para Juiz de Fora. O relato deles será de suma importância para a comissão - afirmou.
A Polícia Civil de Minas Gerais foi procurada pelo Terra e informou que só se manifestará em nota oficial sobre a afirmação feita pelo parlamentar.
Laudo do IML
Depois de ouvirem cerca de 20 pessoas na Câmara Municipal de Ponte Nova, nesta sexta-feira, hoje os integrantes da CPI se reuniram com os médicos legistas do Instituto Médico Legal de Belo Horizonte que fizeram a necrópsia dos 25 corpos.
O deputado Neucimar Fraga informou que os coordenadores do IML garantiram à comissão que os corpos de apenas três detentos apresentavam perfurações provocadas por tiros, "mas os médicos mostraram radiografias e relatórios onde afirmam que são ferimentos antigos. Estas informações coincidem com os depoimentos dados por familiares dos três presos quando eles descreveram sinais e marcas que pudessem facilitar a identificação dos corpos," explicou.
Fraga disse acreditar no relatório passado pelos legistas do IML de Minas, mas ele afirma que pode solicitar uma perícia independente para se descobrir onde foram parar os mais de 20 tiros que teriam sido disparados dentro da cadeia no momento do massacre.
- Ontem o cabo da Polícia Militar que estava de plantão na guarita da cadeia (Dueber Baptista de Oliveira) afirmou que ouviu mais de 20 disparos. Se as balas não estão nos corpos, não estão nas paredes da cela, devem estar no chão. Uma nova varredura da perícia no local pode esclarecer esse ponto - continuou o parlamentar.
Para os membros da CPI Carcerária, são fortes os indícios de que havia mais de uma arma com os detentos que acuaram o grupo rival e atearam fogo na madrugada da quinta-feira.
- Acreditamos nisso porque é estranho uma arma apenas afrontar 25 presos - completou Fraga.
