Ex-diretor da ECT estava afastado desde a Operação Selo

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Agência Brasil

BRASÍLIA - A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) negou nesta quinta-feira, dia 9, que o ex-diretor de Operações Carlos Roberto Samartini Dias, exonerado após a Operação Selo, da Polícia Federal, tenha participado da reunião de diretoria do órgão, na quarta-feira.

Em nota oficial, os Correios afirmam que Carlos Roberto foi imediatamente afastado das funções pelo presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio, assim que começaram as prisões, na semana passada.

Segundo o comunicado, a exoneração de Carlos Roberto foi publicada apenas hoje no Diário Oficial da União porque o afastamento de um diretor de empresa pública federal só pode ser feito pelo presidente da República.

O decreto saiu com a assinatura do presidente em exercício, José Alencar, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em viagem ao exterior.

O texto ressaltou ainda que o afastamento levou uma semana para ser oficializado porque o presidente dos Correios precisou pedir autorização ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, para retirar Carlos Roberto do cargo.

A nota também informou que, ao contrário do que foi noticiado pela mídia, o presidente dos Correios não recebeu do Ministério Público Federal (MPF) uma suposta lista encontrada nos computadores de ex-funcionários da estatal com informações sobre o pagamento de propina por diversas empresas. De acordo com a empresa, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, recebeu apenas uma cópia do depoimento do ex-diretor do órgão Maurício Marinho ao MPF em junho e julho de 2005, além de um relatório parcial sobre fatos ocorridos em 2004.

O comunicado destacou ainda que os Correios estão colaborando com as investigações.

A empresa diz que ofereceu uma força-tarefa composta de seis auditores e dois técnicos para ajudar nos trabalhos do MPF. No último dia 2, a Operação Selo cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e prendeu cinco pessoas acusadas de atuar em um esquema de fraudes em licitações dos Correios que seria comandado pelo empresário Artur Waschek. Além de Waschek, foram detidos dois empresários e dois servidores da estatal, um deles era Carlos Roberto. Todos foram soltos na madrugada de terça-feira (7) por ordem do juiz Ricardo Soares Augusto Leite, da 10ª Vara Federal.

Segundo a Polícia Federal, a operação foi um desdobramento das investigações iniciadas em maio de 2005, após a divulgação de um vídeo em que o então chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho recebia R$ 3 mil de propina. Na gravação, Marinho disse que as fraudes no órgão se davam com o respaldo do então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ).

O episódio resultou no escândalo conhecido como mensalão, quando Jefferson acusou o governo do presidente Lula de comprar votos de parlamentares no Congresso. As investigações mostraram que Waschek foi o mandante da gravação do suborno a Maurício Marinho