Pfeiffer acusa funcionários da Infraero de irregularidades
Agência Brasil
BRASÍLIA - A empresária paranaense Sílvia Pfeiffer, ex-proprietária da Aeromídia, que negociava publicidade em aeroportos, informou nesta terça-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que funcionários da Infraero cederam terrenos da Transbrasil em aeroportos para a empresa aérea Gol.
No depoimento, ela afirmou que essas áreas estavam sub judice, mas mesmo assim foram repassadas pelos funcionários Térsio Ivan Barros e Marco Antônio Oliveira. - Eles passaram, com exclusividade, terrenos para o Nené Constantino, sem licitação - disse.
O relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO) questionou o depoimento que a empresária dera à Polícia Federal sobre pagamento antecipado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) à Giovani Publicidade, no valor de R$ 1,2 milhão, para veicular anúncios durante os meses de novembro, dezembro e janeiro. O contrato, no entanto, havia vencido em novembro, mas a Giovani Publicidade contratou a Aeromídia para essa veiculação nos aeroportos de Brasília e Rio de Janeiro, durante três meses, segundo o relator.
- No caso concreto, a empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, veiculou anúncios por intermédio da Giovani Publicidade, que, por sua vez fez uso de um representante concessionário de mídia, a Sá Publicidade, para viabilizar a veiculação dos anúncios em espaços adquiridos pela empresa Aeromídia mediante remuneração à Infraero - explicou.
Ainda baseado no depoimento da empresária à Polícia Federal, Torres afirmou que por esse contrato a Giovani Publicidade recebeu R$ 360 mil e a Sá Publicidade, R$ 240 mil. Pela cessão dos espaços publicitários para a Aeromídia, no final dos três meses a Infraero recebeu R$ 240 mil e a Aeromídia, R$ 178 mil. Somados os valores, acrescentou, faltam R$ 182 mil, cuja destinação foi questionada. A empresária respondeu que podem ter sido passados à Infraero, mas disse desconhecer se realmente houve pagamento de propina.
À Polícia Federal, Sílvia Pfeiffer também informou ter ouvido de Adilson Silva, diretor da Sá Publicidade, que 30% do valor desse contrato foram repassados a um diretor dos Correios, cujo nome a empresária disse não saber. Para o relator da CPI, o caso é gravíssimo. Ele explicou que se pode concluir ter sido necessário despender R$ 960 mil com intermediários, incluindo propinas para alcançar o objetivo pretendido de veicular anúncios publicitários que custara R$ 240 mil.
Demóstenes Torres informou que as novas denúncias serão investigadas pela CPI: - Vamos checar esses documentos, quebrar sigilos bancários, chamar as pessoas envolvidas, e avaliar tudo o que estamos fazendo com a Polícia Federal, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União.
Nova reunião da CPI do Apagão Aéreo no Senado está marcada para as 11 horas da próxima quarta-feira.
