CPI pede que ministros não dêem opinião sobre crise aérea
Agência Câmara
BRASÍLIA - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), pediu nesta sexta-feira ao ministro da Defesa, Waldir Pires, que tente barrar comentários de ministros de outras áreas sobre a crise aérea. Castro e o relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), reuniram-se com Pires para relatar a visita feita por integrantes da comissão ao Cindacta 1, em Brasília, na quarta-feira, e oferecer ajuda na intermediação de conflitos.
- Pedimos ao ministro que converse com o presidente da República, solicitando aos outros ministros que, pelo amor de Deus, não se intrometam para atrapalhar o que já está muito complicado. Se não podem contribuir positivamente, que os ministros fiquem calados - declarou Marcelo Castro.
Segundo jornais publicados nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria dito que a crise aérea é o preço do sucesso, e seria reflexo da prosperidade da economia - que faria com que mais pessoas tivessem acesso às viagens aéreas. Na semana passada, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, ao ser questionada sobre as dificuldades que os passageiros enfrentam nos aeroportos, disse que deveriam "relaxar e gozar". Posteriormente, a ministra pediu desculpas por sua declaração.
O presidente da CPI afirmou que, após visitas aos órgãos de controle aéreo, os deputados constataram uma total falta de comunicação entre os controladores de vôo, a equipe técnica e o comando da Aeronáutica. Essa falta de diálogo, segundo Castro, é a principal causa da crise, que voltou a estourar nesta semana, com uma série de atrasos e cancelamentos de vôos registrados nos principais aeroportos do País.
- Podemos dizer que os nervos estão à flor da pele - disse Marcelo Castro. Em sua opinião, se não houver uma interlocução confiável e alguém com disposição para ouvir e acalmar os ânimos, a situação só tende a se agravar.
Segundo o parlamentar, Waldir Pires ouviu as sugestões e se propôs a realizar novos encontros com os integrantes da CPI. Entretanto, ainda é preciso levar a idéia de intermediação de conflitos às outras partes, como os controladores de vôo.
Sobre as prisões de controladores de tráfego aéreo que teriam concedido entrevistas à imprensa sem a autorização da Força Aérea Brasileira, o deputado Marco Maia disse que a Aeronáutica tem instrumentos legais para tomar essas decisões, e os controladores estão cientes de que devem cumprir determinadas regras.
