MT: homem afirma que pressentiu morte de sobrinho
Portal Terra
RONDONÓPOLIS - João Alberto Dias, 52 anos, tio do menino Luiz Henrique Dias Bulhões, 13 anos, morto no último sábado durante simulação policial em Rondonópolis, em Mato Grosso, disse que estava com um pressentimento ruim quando o menino disse que iria ao evento. Ele afirma que passou o dia anterior ao acidente com o coração apertado, mas decidiu deixar o sobrinho assistir à simulação, após a insistência do menino.
- Permiti que meu sobrinho fosse morrer. Sinto remorso e não deveria ter deixado ele ir - disse.
O tio afirmou que o menino costumava pedir a benção para ele e a mulher, antes de sair, mas que no dia do incidente não o fez. Dias conta que quando o diretor da Escola Municipal Princesa Isabel, Adevaldo Rodrigues de Carvalho, falou que o menino havia sido atingido por uma bala, ele tinha certeza que o menino iria morrer.
João Alberto Dias agradeceu à Prefeitura de Rondonópolis, que teria dado apoio para a família e ajudou em tudo que foi preciso, mas reclamou da omissão da Polícia Militar e do governo do Estado, que não teriam ido confortá-lo quando estiveram no hospital em que o menino esteve internado. Ele falou que o principal culpado é o comandante da operação, que foi omisso.
O tio disse que já conversou com o advogado da família para entrar na Justiça e pedir indenização, que será utilizada para tratar problemas de saúde da mãe do menino.
- Criança não é cachorro. As pessoas não podem fazer as coisas por conta própria e depois ficar tapando com a peneira. Eles colocaram uma tampa em cima, como se nada tivesse acontecido - afirmou.
Dias afirmou ainda que a polícia já sabe quem foi o autor do disparo, mas não quer falar. Saiu das mãos deles, mas eles não querem dizer quem foi.
Nesta terça-feira será realizada uma acolhida na Escola Municipal Princesa Isabel, localizada no bairro Jardim das Flores, onde ocorreu a simulação da prefeitura que deixou o menino morto e mais 11 feridos. A cerimônia será realizada pelo padre Lothar Dauchrowitz. Ele vai fazer a acolhida, uma oração e uma benção na escola.
Uma missa de sétimo dia está sendo programada. Hoje a escola em que Luiz Henrique Dias Bulhões ficou fechada em luto pela morte da criança. As atividades serão retomadas nesta terça-feira.
O diretor disse que vai ter uma reunião com a comunidade e com a PM para saber das investigações e das providência em relação aos culpados.
