CPI do Apagão: não encontrados indícios de falhas nos equipamentos

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Agência JB

RIO - O presidente da Comissão de Investigação do Acidente Aeronáutico do Vôo Gol 1907, coronel-aviador Rufino Antônio da Silva Ferreira, foi ouvido na manhã desta terça-feiran pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo. Ele afirmou que não foram encontrados indícios de falhas nos equipamentos de controle do vôo nem nos equipamentos dos aviões envolvidos na colisão.

O coronel-aviador ressaltou que o objetivo do inquérito realizado pela Aeronáutica é levantar todos os fatores que contribuíram para a colisão a fim de gerar recomendações de segurança que evitem outros acidentes. Rufino Ferreira disse ainda que o país sempre teve a qualidade de seu controle de tráfego aéreo reconhecida pela comunidade internacional e garantiu que é seguro voar no Brasil.

Segundo o coronel, não foram encontradas indicações de deficiência ou ineficiência nos equipamentos de cobertura de radar durante as investigações e destacou que a comissão de investigação já terminou as análises dos equipamentos do Legacy e concluiu que o sistema de transponder (equipamento que evita colisões) do jatinho não apresentava "erro de projeto ou integração".

- Com isso, foi eliminada a hipótese de falha mecânica do equipamento, cujo desligamento foi apontado como um dos responsáveis pelo acidente. O acidente decorreu de uma série de situações alinhadas e não de apenas um erro, apontou ele.

Entre as "barreiras de segurança que foram sendo quebradas" ao longo do transcurso do vôo que terminou no acidente, o especialista apontou uma ordem "incompleta" dada pelo controle de vôo em São José dos Campos. De acordo com Rufino Ferreira, na orientação do vôo, faltou informar aos pilotos americanos até quando o jatinho deveria voar à altitude de 37 mil pés.

- Da forma como a ordem foi dada, não foi dito que essa altitude precisaria mudar ao passar por Brasília. Sem essa informação, o jatinho voou em rota de colisão com o Boeing da Gol, que perdeu quase sete metros dos 17,89 metros de uma das asas. A falta de um pedaço da asa levou o avião a cair dando voltas no seu próprio eixo -, explicou.

De acordo com o coronel, o avião fez dez voltas em parafuso à esquerda até colidir com o solo. Os equipamentos da aeronave gravaram 53 segundos dessa queda, até pararem de funcionar. O especialista também informou que, durante a queda, a pressão dentro da aeronave chegou a 5G, o equivalente a cinco atmosferas, "mais do que o corpo humano pode agüentar", disse.

O relatório da comissão de investigação ainda não está concluído. De acordo com Rufino Ferreira, os depoimentos prestados a essa comissão são voluntários e nenhum dos controladores que trabalhavam no dia do acidente falou aos investigadores da Aeronáutica.

(Com informações da Agência Senado)