Comissão Européia propõe "parceria estratégica" com o Brasil

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Agência EFE

RIO - A Comissão Européia analisará nesta quarta-feira uma proposta de parceria estratégica entre a União Européia (UE) e o Brasil, que daria ao país o mesmo nível de relações de apenas outros seis do mundo.

O embaixador da Comissão Européia no Brasil, João Pacheco, explicou hoje em entrevista coletiva que a proposta representa um "reconhecimento" à importância brasileira na América Latina e no mundo.

Segundo Pacheco, o projeto deve ser aprovado antes de 4 de julho, quando acontece em Lisboa a primeira Cúpula entre o Brasil e a UE. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e altas autoridades dos 27 países-membros do bloco europeu participarão do encontro.

Após a Cúpula em Portugal, Lula será esperado em Bruxelas nos dias 5 e 6 de julho, como "convidado de honra" para uma conferência sobre biocombustíveis, segundo o representante da Comissão Européia.

Pacheco afirmou que a UE só assinou acordos similares com Estados Unidos, Canadá, China, Rússia, Índia e África do Sul, e destacou que a proposta é mais um passo em direção ao aumento das relações com a América Latina e, especificamente, com a América do Sul.

Ele considera que o estabelecimento da aliança significará uma cooperação maior em assuntos internacionais, como a reforma da ONU, o desafio da mudança climática, a busca pela paz mundial e o desenvolvimento de alternativas ao petróleo na área de energia.

De acordo com as consultas realizadas até agora, Pacheco disse que a sociedade estratégica certamente será aprovada em reunião que os ministros europeus de Assuntos Exteriores farão nos dias 18 e 19 de junho em Luxemburgo.

O representante da Comissão Européia contou que os países da UE mantêm investimentos de cerca de ? 80 bilhões (aproximadamente R$ 216 bilhões) em território brasileiro e afirmou que o volume de trocas entre as duas regiões faz do Brasil o maior parceiro da Europa na América Latina.

Além disso, a UE recebe 22% de todas as exportações brasileiras, informou Pacheco. Ele descartou que a preferência pelo Brasil possa despertar algum receio em outros países sul-americanos.

O diplomata destacou que a UE tem excelentes relações com todos os países latino-americanos e explicou que nações como a Argentina "sabem" que uma relação melhor com o Brasil ajudará toda a região.

- O reconhecimento da importância do Brasil é um ato de ''realpolitik'' e esse reconhecimento não reduz o interesse que a UE tem pelo resto do Mercosul -, afirmou Pacheco.

Ele também reiterou que as negociações para um acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul continuam dependentes dos resultados da Rodada de Doha, no marco da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o embaixador, faltam "poucas semanas ou meses" para se chegar a um acordo na Rodada de Doha. Caso contrário, "tudo isso vai se misturar com o processo eleitoral nos Estados Unidos e será muito mais difícil".